EDUCAÇÃO: Explicadores: procurados mas pouco valorizados

Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz
Nos últimos anos, há uma actividade que sendo fonte de rendimento para algumas famílias, acaba prestando um contributo para o processo de ensino e aprendizagem em Moçambique, sobretudo ao nível das zonas urbanas: é o serviço de explicação. Para se inteirar dos contornos da actividade, domingo conversou com partes interessadas. Os pais e encarregados de educação dizem tratar-se de uma actividade importante e os explicadores querem ser valorizados. Ainda que reconheça a sua importância, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano fala da existência de fragilidades que podem comprometer a qualidade de formação dos alunos.

Francisco General Sansão Matsinhe é explicador há mais de 30 anos. Não exerce outra actividade senão esta. Frequentou até à 5.ª classe do antigo sistema de ensino, e é formado em ensino de adultos.

Beneficiou de uma formação por ter sido “um dos melhores alunos” na altura da sua escolarização. “Lembro-me que naquela altura trabalhávamos nos bairros, onde dávamos aulas aos adultos”.

Filho de pai professor, Francisco aventurou pelos distritos de Gaza e Maputo à procura de melhores oportunidades como professor de adultos. Depois de algumas digressões, regressou a Maputo a pedido do pai “que já se encontrava reformado e queria que eu trabalhasse com ele em casa, em Maputo, dando explicação às crianças. Desde então não parei mais”, garante Francisco Matsinhe.

Hoje, o seu trabalho é desenvolvido na varanda de uma residência no seu bairro. Este espaço tornou-se um centro de explicação onde 30 alunos frequentam as aulas em dois turnos: o da manhã, para crianças que vão à escola de tarde, e o da tarde, para as crianças que frequentam a escola no período da manhã.

Alguns destes alunos foram encaminhados para mim por professores e também por pais”, conta Francisco, que mais adiante afirma que muitos dos alunos do segundo e terceiro ciclos do ensino primário chegam com muita dificuldade na leitura e escrita.

NÃO CONSIGO RESPONDER À DEMANDA

Para além de Francisco, o centro conta com outro explicador, o jovem de nome Amós Manhenje, estudante finalista do Instituto Industrial da Matola, que está nesta actividade há cerca de 14 anos.

Amós nunca tinha pensado em se tornar explicador. Tudo iniciou quando respondeu ao pedido de uma conhecida de tomar conta de uma criança de quatro anos, quando a mãe estivesse a trabalhar. No início pensei o que podia fazer para racionalizar o tempo. “Pedi à mãe que passasse a trazer a criança com os respectivos cadernos da escolinha e lápis, e assim passávamos o dia eu ensinando-lhe as vogais e a escrever”, lembra.

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