Versão Hip-Hop do Hino Nacional

Cresci a saber que o Hino Nacional é um símbolo de soberania. Um manto sonoro que nos ampara perante um mundo ávido em nos dominar e espoliar. Ele fala da nossa liberdade, do respeito que todos devem ter pelos limites da nossa pátria e nos enche de orgulho.

É verdade que “águas passadas não movem moinhos”, mas na minha meninice, quando o hino nacional era entoado, ainda que fosse a cinco quarteirões, parávamos de jogar à bola e nos púnhamos em sentido. Idem para o içar da bandeira. Não precisávamos vê-la a seguir mastro acima. Parava tudo. Mas, como disse, isso foi nos tempos da outra senhora.

Todavia, nos tempos que correm, observo que o Hino Nacional é tratado como um velho sucesso do cancioneiro popular, daqueles que cada um pode pegar e construir a versão que bem entender, ao compasso que mais gosta, a qualquer tom, enfim.

Há dias, e mais uma vez, presenciei esse facto na abertura de um evento público em que estava um grupo coral que se limitou a atropelar a harmonia auditiva que se pode absorver do Hino Nacional. Soube à blasfémia e me encheu de vergonha.

A sala estava recheada de funcionários e agentes do Estado de escalões diversos que, no lugar de cantar, balbuciaram umas partes soltas de cada estrofe e do coro como se de uma música estranha se tratasse.

Enquanto isso, o grupo coral contratado e pago para o efeito, fazia das suas com o hino, a ponto de só lhe reconhecermos a letra, porque a melodia e seus derivados eram transformados a cada verso. Foi duro aguentar aqueles minutos de um canto despido de ritmo e prenhe de uma vocalidade difusa.

O nosso Hino Nacional foi adoptado em 2002 e, passados estes 15 anos, que motivos temos para contratar grupos corais para entoa-lo? Precisamos? Em outros casos usam-se gravações. Porquê? Se há um corte de energia percebemos que há muito grã fino por aí que não passa da primeira estrofe.

O Hino Nacional não é apenas uma música, é um símbolo nacional, tal como a Bandeira Nacional, o Emblema da República cujo conhecimento e domínio “devia” ser de todos, com ênfase para quem representa o Estado, falo dos políticos, governantes e funcionários públicos. Porém, e pelo andar da carruagem, um dia teremos a surpresa de assistir a um desses jovens a inaugurar um evento cantando o “Pátria Amada” em versão hip-hop ou pandza. Não falta muito. Rumamos firme e triunfalmente para esse abismo.

Jorge Rungo

Editorial

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