Cumprimento a jornalistas

Imagino o colega Estácio Valói, a ser detido na praça 25 de Setembro ou do “soldado desconhecido” (sim, porque não é verdade que se trata de Kankhomba como nos habituamos a chamar) por ter sido visto a fotografar as barracas perfiladas por ocasião do Dia da Mulher Moçambicana, na cidade de Pemba.

Aliás, primeiro leio uma mensagem de telemóvel que recebi, às 16H22, a dizer: “O Estácio estragou-me o dia”. Procuro perceber. É quando me dizem que acabava de estar em mãos policiais e que estava em curso um movimento para pô-lo em liberdade e depois reflectir sobre as razões por que um jornalista tinha de estar detido, com os respectivos meios de trabalho.

Imaginei Estácio Valói, com a sua apresentação exterior que não diz nada do que ele é profissional nem humanamente. Imagino-o de calções surrados, botas disformes, dreads, camiseta brincalhona, suado conforme as altas temperaturas de quase sempre na terceira maior baía do mundo.

Imaginei-o de sua bicicleta, que lhe ajuda não só a exercitar-se, mas também a se locomover na capital provincial de Cabo Delgado, mas sempre com a sua máquina fotográfica profissional a tiracolo. É assim Estácio Valói, desde que veio para Pemba, como sua base, a partir donde faz os movimentos que lhe convém, na qualidade de jornalista freelancer.

Está em Pemba desde 2012, salvo exagero. Numa pequena cidade, onde quase todos se conhecem, Valói não passa despercebido, pelo que faz, como faz e como se apresenta. Quem não o conhece, dir-se-ia, esse sim, é duvidoso! Estranhei. Por tudo o que acima foi dito!

Mesmo tendo em conta que não fosse ele, jornalista, onde residiria a razão de deter um cidadão em plena data comemorativa, num país em que a superestrutura insiste em que todos gozemos das liberdades que o nosso ordenamento jurídico dispõe?

Quatro dias depois vieram as saudações aos jornalistas que tudo fazem para que o país esteja no grupo restrito da região onde se deixa incólume o exercício pleno das liberdades de expressão, imprensa, do jornalista e o direito à informação. Num país, inclusive, onde o abuso a essas liberdades ainda é tolerado. Era o dia do Sindicato dos Jornalistas.

As saudações vieram, menos de alguns sectores, incluindo políticos, que durante o ano fazem ver que gostam do trabalho dos profissionais de comunicação social, que tudo fazem para que as suas ideias sejam vertidas em diferentes órgãos de comunicação social e assim “existam”.

Ouvi mensagens da Presidência da República, do partido no poder e (palmas ruidosas) uma falada da primeira-dama. Pouco mais. Tentei perguntar aos colegas se individualmente haviam recebido mensagens a dizerem que aquele era o nosso dia. Soube a pouco.

Desta vez não houve a bicha de instituições a saudar os jornalistas, o que fez pensar que, provavelmente, ainda temos furos abaixo do exigível. Alguns colegas aventaram a hipótese de não ter sido em tempo de convulsões sérias de índole político.

Quiseram defender a tendência infeliz de que alguns sectores da nossa sociedade são alérgicos à paz. Em paz não encontram a quem saudar. Infelizmente, mesmo!

Outros aspirantes a políticos não se lembraram. Bancadas parlamentarem, incluídas. Esperam estar no poder para nos saudar…

Texto de Pedro Nacuo

nacuo49nacuo@gmail.com

Editorial

Pacto Polícia-povo
domingo, 13 agosto 2017, 00:00
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