A minha amiga conta a pés juntos, que nunca antes traíra o marido, mas que com a injusta sova que lhe deu, só lhe dá agora vontade de se vingar, tanto é que ela tem já provas de que o esposo o vem traindo há muitos anos, através das mensagens que troca com as suas amantes.

                Eu já vinha perdendo o amor por ele, e agora já não sinto quase o mesmo nada por ele, e vou-me separar mesmo dele de vez, porque sempre teve ciúmes doentios, assim diz a minha amiga toda colérica com um ar que me lembro a tese de Sócrates de que deve se ter mais medo duma mulher cujo amor o marido fere, do que o odeio de um homem.

HOMENS SÃO BRUTALMENTE CIUMENTOS

           Ao longo dos últimos 25 dias, intensifique a busca de mais factos e dados com que pudesse servir de matéria-prima para este meu artigo, e para tanto, conversei com várias mulheres e homens de todas as idades e extractos sociais, e a conclusão a que cheguei, é de que de facto os homens se acham no direito natural de traírem as suas esposas ou parceiras, mas já nunca estão preparados a que elas também se aqueçam com outros homens.

                Todas as mulheres com quem falei, disseram que os homens pensam que é seu direito natural e inalienável experimentarem todas as catorzinhas que muitas vezes se vendem pelo dinheiro.

           Esta percepção das mulheres sobre os homens, foi confirmada por vários homens com que falei, incluindo Goodwin Alves, um mulherengo assumido, que foi peremptório em me contar esta tese das chaves e das fechaduras, como prova de que os homens são para muitas mulheres e estas só para um e único homem.

Meu irmão, o homem foi feito para ser macho a todo o momento, daí que nunca tem momentos de pausa como elas que observam ciclos menstruais ou momentos de gravidez adulta ou pós-parto. Nós estamos sempre com a máquina apta a trabalhar sem parar. Mesmo entre os animais há varias galinhas para um galo ou um bode para vários cabritos´´, assim dissertou ele, vincando que não está para teses que não colam com a realidade.

                Por sua vez, todas as mulheres com quem falei, foram unanimes em afirmar que de facto os homens das regiões patriarcais moçambicanas se acham nesse direito, daí que mesmo que não sejam abertamente polígamos como o é Zuma, na verdade o são às escondidas, ou pelo menos traem quase sempre, mas que já não permitem que suas esposas os traiam também. 

                Uma das senhoras que confirmou esta tendência dos homens, é Angelica Chilengue, de Zavala, que disse que teve de se divorciar do seu marido de quem tanto amava, porque a espancava sempre a torto-e-direito, acusando-a de e estar a traí-lo, ´´quando eu nem sequer pensava nisso, porque amava-o muito, e todo o homem que me tentasse engatar, eu insultava logo´´. Mesmo agora, nota-se uma resquia de amor pelo marido, dai que a trate pelo diminuítivo Jojó.

                Várias outras senhoras com quem falei em Gaza e Inhambane, e aqui em Maputo, foram unanimes em que os homens precisam assumir que as mulheres sentem tanta dor como eles quando são traídas, e que mesmo as que não expressam a sua repulsa a isso, o fazem insidiosamente, e que na maioria dos casos, se vingam já traindo também.

          ´´Quando estudiosos do género dizem que os homens e as mulheres são iguais, estão a dizer uma grande verdade. Nós também temos sentimentos, e se não reagimos com violência contra os nossos maridos quando nos traem, é porque nós mulheres somos no geral mais equilibradas, e sabemos que a violência não iria resolver nada, mas apenas estragar um lar e atirar as crianças ao sofrimento, por coisas banais como uma traição´´, assim disse Laura, uma jovem universitária de Tete, que estuda na UEM em Maputo.

ESTUDOS DE PERITOS CONFIRMAM QUE HONENS SÃO OS QUE MAIS TRAREM E OS QUE MAIS AVERSOS À TRAIÇÃO DAS SUAS ESPOSAS

                Dados e factos compilados no campo pelos peritos do Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que de facto os homens são mais dados à traição, e mais dados ainda à aversão da traição das suas esposas e parceiras, e mais dadas também à violência contra estas.

                Nesse estudo, publicado em 2011, mostra que 4,3 por cento dos 884 homens que foram ouvidos, disseram que era correcto e justo que os maridos batam nas suas esposas quando saem da casa sem informarem os seus maridos ou quando chegam tarde a casa.

                Dum modo geral, o estudo mostra que os homens batem nas esposas por todo o tipo de falhas que eles próprios amiúde cometem também, como quando as batem por queimarem a comida, discutirem com o marido, não cuidarem bem das crianças e se aleijarem, e por se mostrarem indispostas ou se recusarem a fazer sexo.

             O estudo diz que 20,3% dos 4.035 homens inquiridos em torno destes supostos crimes entre casais, justificaram o espancamento das esposas pelos maridos pelo seu cometimento, contra 23,9 % das 3.061 mulheres que também foram ouvidas, e que acham que os maridos têm razão de as espancar em pelo menos uma das questões aqui arroladas. No estudo não está explicado em específico a questão que me levou a escrever este artigo, que é porque é que mesmo quando um homem volta a casa depois de ter estado numa orgia sexual com uma amante, ainda assim não se sente moralmente inibido de bater a sua esposa quando descobre que ela também cometeu o mesmo crime que ele acaba de cometer lá fora?

             Esta é uma questão que creio que deve ser debatida, porque não se pode explicar na base da justificação das chaves e das fechaduras, porque a se manter como válida, estamos a dizer que os homens são mais que as mulheres, o que não é verdade, porque eu subscrevo até a tese de Balzac de que elas são mais fortes que os homens, e que a sua fraqueza é apenas aparente. Eu defendo que do mesmo modo que já se antevia o Seculo Negro que agora estamos a vivê-lo em contraste com o tempo em que nós os pretos éramos tratados como bestas para carga, também o Seculo das Mulheres está à porta, e para tal, é só ver como as nossas irmãs e filhas estão se emancipando à velocidade da luz, quando até há 40 ou 30 anos, eram tratadas como simples cozinheiras dos seus maridos e seus instrumentos de prazer.

 

Gustavo Mavie

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