“Oxalá me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me porém ainda… E, se sou rude na palavra, não sou contudo na ciência; mas já em tudo, nos temos feito conhecer totalmente entre vós” 2 Coríntios 11: 1 e 6

Pelo título que dei ao texto de hoje, dá para imaginar o cenho franzido de assombro e estupefacção e, porque não, de escandalizados/as com que os/as meus/minhas respeitáveis leitores/as estarão percorrendo-o (o texto) com a vista e a dizer para com os seus botões: “este Kandiyane pifou de vez!” Desenganem-se, meus e minhas ilustres leitores e leitoras! Não se trata de nenhuma leviandade, muito menos de desrespeito pelas homenagens aos finados, porque, desgraçada e inevitavelmente, este tipo de cerimónias todo o mortal terá de trilhar por elas, sobretudo se tiver sido fadado a entregar a alma numa família com algumas posses. Portanto, eu continuo tão coerente e cristalino como sempre o fui, sou e serei para o resto dos poucos ou muitos dias que ainda me sobram! O facto é que as cerimónias fúnebres, actualmente, enveredaram por uma direcção tal que se calhar é pelo facto de já se ter tornado tão corriqueiras, pois diariamente batem-nos à porta ou do nosso vizinho, que já não têm aquele peso que outrora tiveram, em que a indumentária de cor negra era sinal inequívoco de luto e dor. Hoje já não! Principalmente nas nossas mães, mulheres, filhas e netas. Por isso, para mim, a maioria deste tipo de rituais apresenta-se-me tão cheia de requififes e de mais de comum com funçanatas ou festins bravos. Para traçar estas linhas e se calhar motivado pelo facto de estar a queimar os meus últimos cartuchos como diz o vulgo, se tivermos em linha de conta a minha idade e a esperança de vida do nosso país, dizia eu, na semana passada, de segunda a sexta-feira, decidi acompanhar uma cerimónia fúnebre em cada dia, já que a minha saudosa avó materna em vida havia formatado a minha então ainda débil cachimónia para que não se devia participar a mais do que um funeral ao mesmo dia porque era tabu. (“A swi yila”). Todas as cinco cerimónias que tive a infeliz ocasião de nelas participar foram no mínimo fascinantes e, porque não, formidáveis! Mas a última, da sexta-feira passada, por sinal da minha comadre Rosa Mazivila, mulher que foi do meu compadre o agora viúvo António Guezi Mazivila, foi a mais impressionante. Ela que em vida fora uma verdadeira “beata”, tendo servido de zeladora na Igreja durante mais de meio século, a sua agonia que durou dois anos, acometida por uma doença que o seu médico diagnosticou como: Atrofia Muscular Espinhal, ou doença degenerativa do sistema nervoso, de origem genética, caracterizada por fraqueza e atrofia muscular progressiva, daí quenão apanhou nenhum de nós familiares dela de surpresa. Donde, a sua cerimónia fúnebre ter sido preparada com toda a pompa e circunstância, ou seja, de modo requintado e de acordo com a etiqueta própria para alguém do estatuto da minha saudosa e nostálgica comadre Rosa. Leia mais...

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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