A esta distância já se percebe por que a tribo do futebol se agitou quando tudo apontava que a edição do Moçambola deste ano não seria jogada no formato de todos contra todos. E não é que o povo tinha mesmo razão. As primeiras surpresas já caíram e, atenção, que passam apenas três jornadas.

O Baía de Pemba, estreante ao mais alto nível, deu já o ar da sua graça, aconteça o que acontecer mais tarde, ao vencer a bi-campeã União Desportiva do Songo, contra todos os prognósticos, para gáudio de toda uma província.

E foi bom que assim tenha sido. A população de Cabo Delgado bem precisa (va) de umas fagulhas de sorriso depois da destruição provocada pelo ciclone Kenneth, que deixou os distritos de Macomia e Ilha do Ibo irreconhecíveis, ou melhor, de rastos.

E por falar da Ilha do Ibo, as imagens que vi pela televisão quase me arrancavam suculentas lágrimas. Vai ser necessário um esforço hercúleo para recuperar aquela costela da história de Moçambique. O “Kenneth”, que também soprou forte na província de Nampula, concretamente no distrito de Memba, parece também estar a funcionar como excelente tónico para as equipas locais, nomeadamente Ferroviário de Nacala, Desportivo de Nacala e Ferroviário de Nampula que no dealbar do Moçambola conseguiram resultados interessantes. A população de Nampula anseia por mais, até porque por aquelas bandas o futebol move todas as paixões e por vezes raia a violência, de todo condenável.

O futebol também é vivido intensamente na província de Inhambane e, talvez, ainda que não seja comum um treinador ser despedido na primeira jornada, a verdade é que Alcides Chambal não sobreviveu à eliminação prematura do ENH de Vilankulo na pré-eliminatória da Taça de Moçambique diante do Ferroviário de Inhambane.

O “Monstro Sagrado”, Mário Esteves Coluna, que Deus o tenha, disse milhentas vezes que o “futebol não tem lógica”, mas, pelo que deduzo, a Direcção do ENH teve a sua lógica: falhou um dos dois objectivos… despedido. Cruel? Talvez sim, talvez não.

O homem que se segue no leme do ENH é Antoninho Muchanga, habituado a fazer omoletas sem ovos. Não precisava de provar nada a ninguém. Oxalá tenha a estrelinha da sorte do seu lado porque na vida às vezes é preciso ter todos os astros a conspirarem no sentido Norte/Sul.

Para fechar este meu pontuando acho justo fazer referência à Gala do Desporto, promovida pelo Ministério da Juventude e Desporto, que decorreu na passada quinta-feira num estabelecimento hoteleiro da capital. Nota 9 na escala de zero a 10 valores.

Pelos sorrisos dos laureados conclui que há muito almejam ser reconhecidos publicamente, até para deixarem de discutir com os netos sempre que disserem: “eu fui craque, eu”. Agora os diplomas falaram por eles.

Por André Matola

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