Era uma vez, um grupo de seis amigos que decidiu sair numa sexta-feira para conversar e beber uns copos.

Fazendo-se transportar nos seus carros de diversificadas marcas, dirigindo cada um a sua “machine” (o mesmo que carro na gíria da juventude, quando se trata de viaturas de alta cilindrada como Audi, Mercedes, BMW, Volvo, etc., etc.), escalaram uma das barracas à beira da estrada.

No local, a discussão dominante era sobre a marca de cerveja a ser consumida. Depois de tanto debater, um deles pediu uma Txilar. Foi aí que outros pediram Heineken, Dourada, 2M e, no caso excepcional, um deles pediu gin tonic. A bebedeira foi ganhando mais consistência à medida que a barraca enchia de meninas que, ávidas de consumir Spin e Hunter’s Gold, viram nos rapazes detentores das “machines” a melhor fonte. Eles, garbosos e pretendentes de demonstrar o quão saudáveis eram financeiramente, não tiveram mãos a medir para mandar vir carne grelhada, frango assado e até revoada. A festa animava e, quanto mais se consumia, crescente era a vontade de trocar o aperto do copo de cerveja por um abraço profundo às meninas. E foi sendo assim ao longo da noite até que chegou o momento da coragem em que cada um desaparecia com a sua musa preferida e escondiam-se atrás da barraca para fazer o que não pudemos ver.

Pela madrugada, estavam todos bêbados e animados com o ambiente. Entretanto, prevalecia a vontade de pagar aos que menos dinheiro tinham. Para consumar o feito, ouviam-se gritos como: “mande duas rodadas para esta gente toda, pobre e sem dinheiro, que eu pago”. E assim acontecia da forma mais rápida possível, pois os serventes da barraca, mesmo sem patins, pareciam uns autênticos artistas na pista de gelo. Dificilmente sentavam e minuto a minuto estavam no colo do cliente, prontos para o servir. A competição entre os amigos proprietários das “machines” ganhou força e cada um mandava rodadas incansavelmente, demonstrando o seu “power”.

Chegado o momento da saída do lugar, tanto os que estavam a mandar vir rodadas, as meninas das Hunter´s Gold bem como os beneficiários, considerados pobres sem dinheiro, partiram garrafas, umas cheias e outras vazias, enchendo a estrada de pequenos pedaços de garrafas.

Ao entrar nos carros, fizeram roncar os motores das potentes “machines” e, à medida que aceleravam, partiam garrafas, sujando um bom percurso da estrada por onde passam todos os dias carros particulares e machimbombos que transportam gente para os locais de trabalho, escolas, hospitais, mercados.

Quando os jovens partiram despoletou um debate entre os que haviam ficado na barraca. Uns repudiavam veementemente aquela atitude. Outros ainda diziam que não havia problemas porque a autarquia tem como dever limpar as estradas.

Será este um comportamento desejável? Será que os jovens sentem-se realizados e mais fortes ao beberem e partirem garrafas nas estradas?

Não estarão eles a prejudicar os pneus dos carros do seu amigo, dos familiares, dos milhares de cidadãos moçambicanos que usam aquela estrada?

Será mesmo assim que queremos ser uma cidade, distrito, país exemplar no mundo?

Por Frederico Jamisse
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