Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos, e se decide a causa entre os poderosos” ‒ Provérbios 18:18

Numa das fases da minha curta existência, cursei Teologia, meramente para aprimorar os meus conhecimentos nesse ramo, e para poder saber defender-me perante a proliferação de muitos pilantras que se intitulam de profetas. Durante o meu aprendizado, tive umprofessor de Teologia Sistemática, uma das maiores autoridades desta área do saber. Consciencioso, desvelado e meticuloso, detestava veementemente ouvir um estudante pronunciar as palavras“sorte” ou “azar”. Ficava bravíssimo e era motivo para uma prelecção de muitas aulas de sapiência. Para ele, esses adjectivos nunca existem na prática. Dizia-nos sempre que “sorte”ou“azar” são consequências dos nossos actos, pensamentos e acções.São estados de energia que uma pessoa mentalmente atrai e concretiza na sua vida. Insistia ele que cada um colhe sempre o que plantou. Para o nosso ilustríssimo “rabino”, julgarque algo ou alguém está influenciando a vida de outrem é transferir a nossa responsabilidade para outros.Para mim e os meus colegas de curso, aquele pensamento do nosso conceituado “mestre” não passava de uma visão de um “teórico estudioso”. Por isso, não nos foi tarefa fácil desaprendermos que “sorte” ou “azar” não existem efectivamente, tendo em conta que aprendemos desde pequenos que cada um está fadado a ter “boa sorte” ou “má sorte”, na vida, e que quem tem “má sorte” tudo o que fizer dará errado ou então sempre acontecerão revezes com essa pessoa. A despeito disso, Franklin Delano Roosevelt, 32.º Presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945, escreveu: “Acho que nós consideramos mais a ‘boa sorte’ do pássaro que acordou cedo do que a ‘má sorte’ da minhoca”. Terminada a minha formação, abandonei os livros, mas a aversão sobre “sorte” e ou “azar” do meu “mestre-rabino” não me largou. O tempo não parou. E, como escreveu a poetiza negra brasileira Renata de Sousa, “O tempo passa mas as lembranças ficam”. Hoje, lembrei-me do meu professor porque na passada sexta-feira cruzei-me com o pastor que em tempos foi um cura d'almas e que ia todas as manhãs abrilhantar-nos com exorações fervorosas recheadas de “histórias” da sua vida, de “falta de sorte”. Leia mais...

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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