“Ó Senhor, ouvimos com os nossos próprios ouvidos aquilo que os nossos antepassados nos contaram: nós estamos abatidos, caídos no chão, estamos vencidos, jogados no pó. Salva-nos Senhor, por causa do teu amor” Salmos 44:1-26

Na minha última “Assombração”, revelei aqui neste nosso cantinho de amizade, as pessoas e os lugares que mexem comigo directa e profundamente, sendo essas (pessoas), a minha família biológica que começa na viúva do meu falecido pai e termina, por enquanto, nos seus (dela) bisnetos. Sobre os lugares, referi-me à minha vetusta Vila que acompanhou a minha evolução desde tenra idade, até ao presente momento. Ela, (Vila), é atravessada pela Estrada Nacional Número Um (N1), e, nela (Vila), emanam e comercializam-se diversos artigos agrícolas produzidos localmente, durante todo o ano, designadamente milho, arroz, amendoim, hortícolas, feijão-nyemba, mandioca e seus derivados, (Rala, Tapioca ou Farofa, conforme cada um entende assim chamar), batata-doce, ananás, côco, piripiri, etc.. Hoje incluo nos lugares, a moita escondendo uma velha mafureira debaixo da qual caiu e apodreceu parte da minha corda umbilical na altura do meu nascimento e que muito em breve, os meus restos mortais irão ao reencontro daquela moita para que se possa completar o meu ciclo de vida: (nasci, cresci, reproduzi, e morrerei e serei enterrado para as minhas cinzas fertilizarem a terra para o bem doutras gerações. “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, disse um dia o francês Antoine Lavoisier. Mas hoje, por escrever esta “Assombração” debaixo da sombra de uma das árvores seculares às quais me referi na semana passada, o meu doloroso lamento vai exclusivamente e tão-somente para este meu vetusto Vilarejo, este meu pequeno Povoado com mais de Cem anos de idade, que, longe de evoluir a exemplo do seu irmão gémeo, o Povoado vizinho de Quissico, (Cisikwini), agora município de Zavala, o meu Vilarejo, nasceu com uma anomalia congénita reconhecida como “Hipoplasia Patológica congénita”. Porque, prematuramente envelheceu antes mesmo de evoluir para outra categoria. Conta a tradição oral feita pelos mais velhos, (e agora conto eu que já sou velho), que, aquando da instalação das Sedes Distritais no século passado, houve vozes discordantes provenientes da Sede Provincial, quanto à outorga aos nativos predominantemente VaCopi, dos diversos serviços da a administração do povoado de Pwelela (Inyarini), alegadamente porque eram, (VaCopi) gente inculta e teimosa que só sabia dizer “SIM SENHOR!” e se recusava a Assimilar nomes portugueses, persistindo com seus nomes indígenas, tais como Pheranyane, Nyankhololwe, Makovele, Matombozane, Madovelane, Nyamphalele, Makanzane, etecétera. Por isso os nativos foram preteridos, em favor dos Assimilados de fora, caso dos VaTonga provenientes de Inhambane-Céu e Maxixe que estariam aptos a ocupar os lugares públicos nas Repartições e não só. Foi assim que se assistiu a “importação” e fixação no Vilarejo, de Assimilados Vatonga, bem-falantes de Português e Gitonga, a começar pelos intérpretes cujos nomes soavam bem, nomeadamente, Maurício de Sousa que chamava as pessoas que demandavam os serviços da Secretaria para Registo de Nascimento, Caderneta Indígena, Pagamento de Imposto da Palhota, etc., de “Sikono/Vanyadugwi” ou seja “Fantasmas Hienas”, acabando por ele mesmo ser alcunhado de “Gikono/Nyadugwi”. Leia mais...

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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