Manhã de quinta-feira, 9 horas e 20 minutos. Estava eu vestida de azul e calçada de marrom, caminhando serena, a passos comedidos, em direcção ao supermercado que se localiza a poucos metros do meu local de trabalho, na baixa da cidade de Maputo. Minutos antes, acabara de me distanciar da voz de um admirador de plantão, refastelado num móvel vetusto, de cor preta, que se derretia insistentemente, emitindo elogios fastidiosos em torno da minha figura.

Chegada ao destino, adentrei em uma farmácia implantada no gigantesco centro comercial, à busca de um suplemento para o organismo. Aqui, segui as regras de educação, fazendo ecoar a bom som a minha saudação, por sinal imediatamente compreendida e acolhida por três mulheres em pleno exercício das suas actividades: duas detrás do balcão e a terceira procedendo à limpeza daquele ambiente.

Por ali, havia o que eu pretendia, materialmente falando. No entanto, o que não imaginava é que imediatamente me chegaria aos ouvidos um discurso aliado à era das inconsequências, que coube como uma luva na ideia segundo a qual “não é belo o que é belo, mas aquilo que agrada” (Carlos Goldoni). A verdade é que a mulher de vinte e poucos anos, que colaborava primorosamente executando os serviços que lhe cabiam, acabara de revelar um contra-senso: a limpeza e a pureza terminavam nas suas mãos, pois a sua essência emanava um modo ímpio de ser e de estar.

Por Carol Banze
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