MATEUS ÓSCAR KIDA: O sisudo que permitiu que lhe abrissem a boca

Texto de Pedro Nacuo

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Amanhã é dia da Independência Nacional, conquistada pelos moçambicanos, a 25 de Junho de 1975, depois duma luta de libertação que durou 10 anos e liderada pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Muitos nacionalistas estiveram directamente envolvidos no processo de libertação, mas ainda parece pouca a história publicada.

De há oito anos para cá, individual e paulatinamente, têm aparecido obras que se referem à participação de quem esteve na frente da batalha ou não, no processo libertário e, de cada vez que isso acontece, nos surpreendemos com o quanto, afinal, temos à nossa volta, outros nomes, para além daqueles que a pressa em escrever a história nos obrigou a memorizar.

Na próxima terça-feira está agendado o lançamento do livro (do) sobre o Coronel Mateus Óscar Kida. É verdade! Afinal, chegaria o dia em que poderia falar. Ou, por outra, teria de deixar que se falasse de si, contra a ideia que pareceu transmitir durante todos estes anos.

E, no fim, invade-nos a coragem de que este país já teve heróis que não merece nem a instrumentalização, muito menos sinais de tentativas de os seus cidadãos serem porta-vozes de gente outra, principalmente, da estranja.

Kida, um combatente que corria o risco de morrer com tudo o que (se) sabe sobre si, o equivalente a todo o processo de libertação nacional, visto que não parece tarefa fácil separá-lo da epopeia libertária. Ele está aí, em 384 páginas prenhes de testemunhas:o que dizem aqueles que o foram companheiro, camarada e muita fotografia, retirada das mais de 7000 fotos dos 200 álbuns pessoais do Coronel.

Concorde-se com quase todas as caracterizações feitas na orelha esquerda do livro: sereno, ponderado (conforme o antigo presidente Armando Guebuza) e acrescente-se: Sisudo! Exímio dançarino, afável (segundo o actual Presidente, Filipe Jacinto Nyusi) e acrescente-se: afinal, brincalhão nas horas!

A primeira vez que o visitámos, antes da passada sexta-feira, na sua casa, em Maputo, numa noite de Maio de 2012, concluímos: afinal trata-se de uma pessoa normal! Era tanta a mestria com que o vimos a executar a kuassa-kuassa que nos havia servido, através do seu aparelho estereofónico da sala de visitas, com discos por si seleccionados.

Quando hoje escorremos pelas paginas do livro “sua voz e na dos seus camaradas e outros próximos”, voltámos aonde estava antes de visitá-lo na data encimada. De novo falámos para os nossos botões: o homem é pesado! Voltámos a respeitá-lo religiosamente quase como o fazemos em relação à Independência do nosso país; da mesma forma que respeitamos a resistência e resiliência do povo moçambicano…

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