Comemorou-se, quinta-feira, 14 de Junho, o Dia Mundial do Dador de Sangue. Na esteira da efeméride, domingo saiu à rua para conversar com os seus leitores sobre a importância de doar sangue. Todos concordam que é um acto que simboliza o humanismo, entretanto, condenaram as crenças religiosas que proíbem os seus seguidores de o fazer.

Salva vidas

–Félix Chichava, fisioterapeuta

Devo deixar claro que nunca doei sangue na minha vida, mas não se trata de desleixo ou desconhecimento da causa, que é mais humana e nobre. No fundo, não sei porque nunca doei, deve ser por falta de tempo mesmo, porque tenho pensado nisso com seriedade. Acho que é importante, porque ajuda a salvar vidas de muitas pessoas. Aqui em Moçambique, naturalmente, temos falta desse líquido nos nossos hospitais, então, é bom fazermos isso.

Ainda assim, há que ter em conta a existência de crenças que proíbem os seus seguidores de doarem e receberem sangue doutra pessoa. Penso que, mesmo sendo uma questão religiosa, as pessoas deviam proceder dessa forma. Talvez o estado deva criar políticas para olhar por esta questão, porque a doação beneficia a todos.

Combate doenças anémicas

–Lénia Mucahele, médica

Já doei sangue sim e pretendo continuar com essa acção, que é mais humana que qualquer coisa. Olho para a sua importância como algo que ajuda as pessoas que mais necessitam, que se encontram nos hospitais. Há jovens e adultos que sofrem de anemias e precisam desse sangue, então, devemos salvar vidas e combater muitos males.

Com relação à proibição de doação de sangue por parte de algumas crenças, penso que é uma questão pessoal, depende de cada um e cada um tem a sua fé. Logo, não sou contra, só que também não sou a favor, porque acho que o sentido solidário deve prevalecer.

Ajuda necessitados

–Edson Matos, comerciante

Já doei sangue, embora não o tenha feito ainda este ano. Mas é importante passar por lá de três em três meses, pois precisa-se de ter sangue nos hospitais, porque há muitas pessoas que precisam dele. Sabemos que há crianças anémicas, mas não nos podemos esquecer que há acidentes todos os dias, então, há sempre essa necessidade.

Algumas crenças dizem que não se pode, porque o sangue que se precisava já foi derramado por Jesus, mas não concordo, porque acho que todos em algum momento precisaremos de sangue. Esses princípios dificultam a vida de muitos, quando devíamos ajudar muitos doentes a se recuperarem.

É um acto moral

–Linda Magenge, recepcionista

As crenças que proíbem os seus seguidores estão a contribuir para que se perca mais vidas, eles próprios perdem familiares: não aceitam o sangue de ninguém, o que é mau. É importante doar sangue e já doei muitas vezes, porque alguém necessitava, mas também porque é uma acção moral. Acho que salvar vidas é mais importante que qualquer coisa e não podendo ajudar não me deixa confortável comigo mesmo.

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