A razão que a Renamo não tem

Três questões prévias: (1) parabéns pela vitória, que não mais é do que o pensamento da maioria dos eleitores do dia 14 de Março de 2018, na cidade de Nampula; (2) parabéns por ter um porta-voz local, de nome Ossufo Ulane, que parece não ter estado na  mesma escola onde foram educados o líder, os porta-vozes do partido, menos ele e Saimone Macuiane, e (3) afinal festejar é difícil.

Vamos por partes: se são os nampulenses que ganharam com a eleição de 14 de Março de 2018, para um mandato que poderá passar para a história como o mais curto alguma vez visto, não há que contestar.

Podemos, entrementes, como acima foi dito, sublinhar o facto de no seio da Renamo aparecer um jovem que sabe comunicar, que tem medo de publicamente falar de forma barata e que mede o peso e efeito que as palavras têm ou podem ter.

Em contraponto, temos aquilo que já sabíamos da Renamo, principalmente em períodos pré ou pós-eleitoral. Das ameaças que começaram na véspera das (primeiras) eleições de Outubro de 1994, pela voz do então porta-voz Rahil Khan, que fizeram com que o italiano Aldo Ajello se desdobrasse em múltiplos contactos para que de facto o pleito se realizasse nos três dias previstos.

Desde então ficou claro que ser porta-voz da Renamo significava sê-lo do seu líder, principalmente, usar a ameaça como um meio de persuasão e intimidação antes e imediatamente a seguir aos pleitos eleitorais, caso não corram a contento. O que se viu é que ao gazetar em alguns deles, por razões infundadas, perdeu o comboio e, noutros casos, deu o surgimento (em força) do MDM.

José Manteigas, actual porta-voz da Renamo, para não ser diferente dos anteriores, veio-nos dizer que a Renamo ganhou em Nampula porque susteve as manobras do seu principal opositor, a Frelimo, de transportar pessoas de fora do raio autárquico para votar no dia 14 de Março. Assim, mesmo! E não disse mais nada! Como lhe cabia, falou barato.

Ora, se quem devia votar naquelas eleições é quem fora recenseado para as “autárquicas” de 2013, porquê pensar que passados 5 anos todos deviam estar ainda a viver na cidade de Nampula?

Havendo cidadãos transferidos para os 23 distritos da província e, não tendo havido nenhuma actualização do recenseamento, sobretudo porque se tratava duma eleição intercalar, onde iriam votar?

A província de Nampula, para além de ser a mais populosa do país, é também o maior círculo eleitoral. Isso tem reflexos na sua capital provincial. Quer dizer, por outras palavras, os movimentos e recrutamentos massivos para diferentes áreas, incluindo o cumprimento do serviço militar, os cursos da ACIPOL, das ciências médicas e, mesmo de formação de professores, que justifiquem a movimentação dos formandos, Nampula tem (ou devia ter) uma quota superior às das outras províncias.

Os cidadãos assim movimentados, querendo votar, terão de vir de fora do raio autárquico de Nampula, sob forma de distritos, outras províncias ou da diáspora. Por exemplo, o presidente da Assembleia Municipal, em 2013, Tiago Fumo, vive em Maputo. Como ele, muitos outros cidadãos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Onde deviam votar para não terem vindo de fora do raio?

Como se movimentariam para Nampula? Dos meios de transporte disponíveis e conhecendo-se podem fazê-lo colectivamente. Ora, sendo SECRETO o voto, assim viajaram votantes da Renamo e da Frelimo, para Nampula. É isso que um comunicador deve experimentar pensar antes de abrir a boca.

Entretanto, a minha falecida mãe disse-me bastas vezes que uma das coisas muito difíceis para o homem é festejar. Muitos não sabem, apesar de parecer paradoxal. A euforia mata a inteligência, dizia, a dona Josefina Muterera.

Das muitas vezes que concordei com isso, a penúltima, antes desta de José Manteigas, foi a de Gelson Martins, jogador do Sporting Clube de Portugal, na incrívelfinal de jogo em Alvalade, no dia 26 de Fevereiro deste ano.

Já em tempo de compensação rematou e resultou em autogolo de André Micael, com um desvio que traiu o guarda-redes do Moreirense. Tirou a camisola ao festejar e viu o segundo cartão amarelo. Foi expulso e falhou o clássico com o FC Porto, no Dragão.

Dito isto, esta é a razão que a Renamo não tem.

Texto de Pedro Nacuo

nacuo49nacuo@gmail.com

Editorial

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domingo, 22 abril 2018, 00:00
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