O desenvolvimento vem com a marcha do tempo. Com ele processa-se a transformação de lugares, ambientes, comportamentos, crenças, valores e atitudes. Com a civilização veio o progresso no domínio das ciências, dos meios de expressão e, por que não, no grau de refinamento dos costumes.

 

Uma lufada contagiante invadiu os ares e uma varinha, que de mágico nada tem, vem causando choques em convenções sociopolíticos e culturais esquematicamente estabelecidos.

Se há algumas décadas e troca passos as sociedades africanas norteavam-se através dum movimento envolvido, que por nada desconstruía os preceitos das suas gentes, hoje é deveras visível a descontinuidade desse círculo e, cada vez mais, ensaiam-se tentativas de casar o velho e o novo, ou de trocar o velho pelo novo, uma dinâmica propulsada pelos caracteres da pós-modernidade.

Com efeito, o individualismo sobrepõem-se ao colectivo. O conceito de liberdade é sobre-elevado.

Só para exemplificar, enche-me a vista a nova postura de alguns homens da lei e ordem ou da guarnição, que, contrariando o rigor e seriedade que lhes é exigido, desvirtuam o caminhar típico das suas lides, caracterizado por passos firmes cadenciados e confiantes e transformam-no em uma troca de pernas saltitante e cheia de estilos. Este apontamento é adensado por casos de elementos, realce-se em plena juventude, que vilipendiam o seu trajar, rebaixando as calças bem ao estilo dos rappers, pincelando, deste modo, um quadro vergonhoso para a sua imagem.  Este retrato aqui exposto tem merecido algumas falas, ainda que a boca pequena.

Até porque não fosse a triste cena que se me aparece amiúde, de todas as vezes que deslizo rampa abaixo à caminho da minha labuta, em que avisto certos sentinelas dando gargalhada, posicionados numa guarita, não me ocorerria fazer referência a tais absurdos.

Ora, nos tempos de Samora não se encontrava espaço para essas saliências nem em sonhos.

Mas tudo mudou e, puxando pelos caracteres da pós-modernidade, assiste-se à transformação de comportamentos e valores.

Problemas estruturais existem e em demasia, afinal canta-se, diariamente, que a sociedade moçambicana precisa reencontrar-se. Mas, mais desafiante ainda se torna o problema quando inclui soldados em total desalinho. Na verdade, há-de a malta convir que de swagger, basta o adolescente pois os estilos em nada desabonam a sua existência. Mas, no que toca à nossa guarnição, o que vivi desde os tempos de Samora é que sentinela não dá gargalhadas dentro da guarita.

Por Carol Banze
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