Faz três semanas que assisti com muita satisfação, no Estádio Nacional do Zimpeto, ao jogo dos “Mambinhas” perante o combinado das Seychelles. Ganhámos por 6-0. Na semana seguinte, soube que a Federação Moçambicana de Futebol marcou o jogo dos “Mambinhas” com os “Bafana-Bafana” da África do Sul para o Chiveve, no campo do Ferroviário da Beira. Positivo porque estamos a começar a olhar para o país como um todo e não centralizando as actividades que a todos interessam apenas na capital do país. O futebol a muitos atrai e é justo que os residentes das outras províncias também gozem deste privilégio de ver desfilar os atletas da equipa de todos nós. Já aconteceu no passado e perdeu-se o hábito por vários motivos. Mas estamos a fazer a retoma, gradualmente. Claro que uns irão questionar ou defender que são os “Mambinhas”! Hoje são os “Mambinhas” e amanhã serão os “Mambas”. O certo é que as nossas estrelas estão a jogar perante uma plateia de outras províncias.

 

A propósito disso, lembrei-me que no passado tínhamos um modelo de competição muito bom. Havia selecções provinciais que competiam entre elas. Nessas competições despontavam jogadores que dificilmente eram vistos na montra-mor, a principal liga. Para além de permitir aos observadores da selecção nacional um olhar atento e profundo, expunha os jogadores, obrigando-os a dar o seu máximo. Hoje, já não temos isso. E sem querer tirar mérito ao treinador da selecção, dificilmente consegue-se aglutinar na nossa equipa – “Mambas” as outras estrelas que brilham nas províncias. Claramente que os atletas que militam nas equipas do “Moçambola” são os mais visíveis. E os da divisão de honra que sendo bons não têm oportunidade? Seria louvável que pensássemos na retoma desse sistema. A selecção do Niassa, por exemplo, poderia jogar com a de Nampula nos dias festivos ou de comemoração dos dias dos municípios. A logística não é tão pesada como se pode imaginar.

Ao retomar a criação de selecções provinciais, cativaríamos muito mais os atletas e os adeptos de futebol e estaríamos a expor outros jogadores. As províncias de Manica e Tete são exímias nisso. Têm estado a competir entre si, o que é bom.

Lembro-me que recentemente houve competições da data FIFA. Moçambique não competiu. O que ouvi - não sei se é verdade - é que não jogámos por falta de dinheiro. Repito, não sei se realmente foi esse o motivo. Mas se tivéssemos aproveitado a data para colocar a selecção de Maputo-cidade com a de Maputo-província; Gaza com Inhambane; Sofala com Tete; Manica com Zambézia; Nampula com Cabo Delgado, em muito estaríamos a ganhar. Proponho que repensemos melhor o tema Selecções Provinciais.

Por Frederico Jamisse

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