O assunto foi demais escalpelizado nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social, incluindo este semanário, devido à invulgaridade dos custos envolvidos. Trata-se da construção de duas fossas sépticas e drenos no edifício da delegação do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) em Quelimane.

 

A empreitada é avaliada em qualquer coisa como 11,7 milhões de meticais. Sim 11,7 milhões sem tirar nem pôr –o que está a levantar suspeição nas cabeças de muita gente mesmo aquela que entende patavina sobre construção civil como é o caso de Post Scriptum.

No meio desta desconfiança toda e numa altura em que todos aguardavam por esclarecimentos sobre os contornos deste contrato, eis que a Inspecção-Geral do Ministério do Trabalho, Emprego e Acção Social manda suspender as obras por inobservância das regras de higiene e segurança no trabalho. Cada coisa no seu tempo, dir-se-á, até porque perante as perguntas a Inspecção acabou dizendo que está ainda a trabalhar no assunto.

Ainda digeria a informação sobre as fossas do INSS acabada de escutar no Jornal da Noite da Rádio Moçambique de sexta-feira, quando a Televisão de Moçambique (TVM), por sua vez, mostrava uma reportagem sobre a inauguração da ponte sobreo rio Chinguidze, que estabelece a ligação rodoviária entre os distritos de Massingir e Mabalane, na província de Gaza. A infra-estrutura havia sido destruída pelas cheias de 2016.

E a reportagem da TVM foi esclarecedora, particularmente no que toca aos custos envolvidos na empreitada. Foi dito mais de uma vez e confirmado pelo delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) em Gaza que as obras de reconstrução desta ponte custaram cerca de 8,2 milhões de meticais.

Longe de pretender comparações que até podem ser consideradas descabidas por gente abalizada, a verdade manda, porém, dizer que as fossas do INSS custam mais 3,5 milhões de meticais que a ponte inaugurada em Massingir. Não venha alguém dizer que é uma ponte pequenina. Ponte é ponte e fossa é fossa e ponto final.

Quem pode explicar como é que a construção de fossas sépticas é muito mais cara que uma ponte? Será mesmo que vinga o argumento do elevado nível do lençol freático da cidade de Quelimane? Não é que queira deitar mais achas para a fogueira, mas parece haver gato escondido com rabo de fora.

PS:

Para o Serviço Nacional de Migração, o aumento da procura pelo passaporte moçambicano, por estrangeiros, deve-se ao facto de este inspirar mais respeito comparativamente a outros documentos emitidos noutros países. Sendo isso verdade, junte-se a relativa facilidade na obtenção recorrendo a esquemas, pois não?

Por António Mondlhane

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