Ginástica nas rotundas da Estrada Circular

A estrada é como íman. Atrai. Junte-se à estrada iluminação pública. Tem-se romaria. Vendedores ambulantes. Boémios. Poetas. Estivadores. Professores. Alunos. Paisagistas. Crianças. Jovens. Fotógrafos. Agrimensores. Compradores. Automobilistas. Efectivamente, estrada é vida. É cor. É alegria.

 

É magia. A Estrada Circular de Maputo, ainda sem iluminação pública, é disso exemplo. Puxa gente.

As primeiras horas da manhã, quando o sol ainda se espreguiça na cama após uma noite mal dormida, pela “Circular” correm já carros de todas as cores e marcas.

Há quem conduza com os vidros abertos para que a brisa matinal lhe acaricie a face e, se for mulher, para que se desprenda o cabelo, pouco importa se natural ou artificial. Afinal só se vive uma vez. Alguns automobilistas pisam bem fundo o acelerador e levitam no asfalto.

Dizem que é a fórmula que encontraram para descarbonizar os motores. Até porque tem de sobrar tempo para deixar os miúdos à porta da escola e chegar a horas ao serviço. Há quem deixe a louca correria pela “Circular” para o entardecer. Sobretudo agora que a noite chega mais célere. Estamos à porta do Inverno. Dentro de algumas semanas as noites serão mais longas que os dias.

É exactamente neste ponto onde nasce a minha preocupação. Ao se apagar o dia são muitos os carros que correm a bem correr pela “Circular”.

Agora o cerne da questão. De há um tempo a esta parte, crianças, jovens e adultos decidiram fazer da rotunda de Albasini o seu ginásio para a prática da actividade física (ginástica) como que a recuperar a benigna iniciativa das décadas 1980/1990 “Correr é Saúde”. Actividade física propicia melhor bem-estar. Todavia, descordo, em absoluto, o local escolhido por muitos populares para fazer a sua manutenção física.

Por exemplo, há dias uma jovem só não foi colhida por um automóvel porque Deus não quis.

Esquecida que acabava de sair do centro da rotunda repentinamente parou no meio da estrada para acenar para os amigos que ainda se fatigavam com um exercício. Valeram os freios da viatura que responderam à medida do desejo e desespero do motorista.

Há coisas evitáveis. Basta a sova que a “rotunda” próxima da Casa Jovem apanha em cada fim-de-semana e que tem resultado quase sempre em feridos, por vezes graves, e danos matérias avultados nas viaturas.

Como me referi acima, a estrada ainda carece de iluminação pública. O último sinistro, há menos de um mês, resultou em quase 60 feridos.

Texto de André Matola
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