INQUÉRITO: A sociedade sabe estar em cerimónias fúnebres?

Ao que tudo indica, a forma de estar e apresentar-se em cerimónias fúnebres, uma ocasião marcada por expressão de tristeza e dor pela perda de uma vida, conheceu algumas mudanças. Se no passado a sociedade moçambicana tinha normas sociais para estas ocasiões como indumentária “apropriada” e comportamento adequado, nos tempos que correm assiste-se a um “fechar de olhos” para essas regras, o que rende algum burburinho de indivíduos mais conservadores.

Odomingo foi à rua colher algumas opiniões dos cidadãos em relação a esta questão e apresenta-as nas linhas que se seguem.

Para Augusto Chalamanda, natural do Niassa, o que se vê nas cerimónias fúnebres é preocupante. Para ele, as pessoas passam por cima da dor dos que perderam uma pessoa próxima. “Já presenciei um episódio em que se estava a entoar um cântico religioso e, de repente, ouvimos um telefone celular a tocar e depois alguém a falar naturalmente. Nem sequer se distanciou do local, o que é de lamentar”, considerou.

É nesta ocasião que a religião é chamada a desempenhar o seu papel moralizador, observou Chalamanda, daí que considerou ser de extrema importância que as famílias incentivem, sobretudo, os jovens a envolverem-se em alguma religião. “Eu sou muçulmano e não participo de um culto fúnebre sem o meu cofió. Mas hoje vemos jovens de calças na altura das nádegas a acompanharem funerais. Onde estão os princípios destes jovens?”, questionou este cidadão.

A resposta, entretanto, pode ser encontrada no depoimento de Edson Cherinda, natural de Maputo, que afirma que tudo está relacionado com a  forma como cada um é educado no seu meio familiar. “Há mulheres que vão aos funerais de calças e sentem-se bem vestidas, mas o que se sabe é que para participar numa cerimónia desta natureza é preciso amarrar a capulana ao corpo”, anotou.

Outra cidadã que falou ao domingo é Elvira Matine, natural de Maputo, que apontou o dedo às mulheres que, para ela, têm dado mau exemplo. “Vemos senhoras que fazem maquiagem berrante como se fossem a uma festa nocturna e ainda colocam saias de rachas longas, sem falar dos saltos exagerados para participar em cerimónias desta natureza. E dizem que vão acompanhar um defunto, o que acaba por desconcentrar as pessoas que, realmente, estão a acompanhar esse defunto”, sublinhou.

Por seu turno, Judite Macuácua concluiu que o que se assiste nos tempos que correm é reflexo das transformações que a sociedade está a experimentar. “Se eu como mãe critico o traje da minha filha e dou-lhe uma capulana, pode até levá-la na bolsa, mas não a amarra ao corpo”.

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