CRENÇAS RELIGIOSAS: Quando ir ao hospital é “pecar” contra Deus

Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

Olham para o hospital como inimigo número um. Vivem num mundo à parte nas montanhas de Manica. Alguns deles vivem e morrem sem nunca terem entrado numa unidade sanitária. Mas pior que tudo é impedirem que os seus filhos menores sejam tratados por médicos e enfermeiros. domingo revisitou semana passada a seita Johane Marangue, e reproduz, em discurso directo, argumentos de seguidores que se escudam na religião para legitimar uma sociedade repleta de dogmas que continuam a matar.

Mesmo perante uma doença grave nenhum pai deve levar o seu filho ao hospital. Medicamentos são vistos como a marca do pecado, “pois estragam a oração, e tornam a alma impura”.

Esta é a regra mais radical da seita Johane Marangue que sentencia ainda: “quem, por tentação do diabo, se dirigir a um posto de saúde deve, rapidamente, confessar-se perante o líder religioso para que a sua alma não pereça”.

Esta sentença, da confissão, destaca-se, na verdade, como a principal “evolução” da seita nos últimos dois anos, pois antes os seguidores não deviam ir ao hospital e ponto final.

O Governo evita, ainda, banir actividades “religiosas” desta comunidade. Insiste ainda no diálogo de modo que aceite os comandos legais do ordenamento jurídico moçambicano, respeitando o exercício da actividade religiosa e não só.

Mesmo assim, as regras da seita já estão a alarmar as autoridades. “Quando um líder religioso sentencia que comprimidos são o inimigo da saúde, temos aqui um grande motivo de preocupação”, disse ao domingo Abel Albuquerque, director provincial de Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais em Manica.

E aponta o radicalismo da seita como estando na origem das dificuldades que ela própria assiste para a sua legalização. “Foi fundada há bastante tempo, mas por causa dos seus princípios normativos tem-se esbarrado com problemas legais”, observa o nosso entrevistado.

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