Adeus, companheiro!

Manuel Meque, companheiro de muitas lutas, de muitas causas, já não está entre nós. Faleceu, aos 54 anos, na passada quarta-feira, 5 de Junho de 2017, no Hospital Geral José Macamo, em Maputo, vítima de doença. A notícia foi colhida com muita dor e surpresa na nossa Redacção, pois dias antes convivera connosco, transpirando alegria que lhe caracterizava e predisposição para o trabalho.

Manuel Meque deixa, acima de tudo, exemplo de humildade, profissionalismo, humanismo e responsabilidade. Na nossa Redacção era conhecido pela entrega ao trabalho, pelo aturado exercício de crítica construtiva e busca da verdade desportiva.

Por isso deixa um legado que nos enche de orgulho. Ensinou-nos a enveredar por um jornalismo de causas, a escrever com elegância mesmo quando o objectivo era criticar.

Todos nós, aqui no domingo, aprendemos muito de Manuel Meque, o homem simples de Morrumbala, que ingressou nos quadros do nosso jornal a 6 de Janeiro de 1992 como repórter-estagiário.

De lá para cá foram 25 anos de plena labuta nos meandros desportivos, onde investigou casos, produziu notícias e ajudou a dinamizar o nosso desporto, sobretudo, em áreas como futebol, natação e boxe.

Foram anos que de permeio ficaram marcados pela passagem pela Frente da Acção Patriótica (FAP), onde revelou a sua veia política.

Trabalhou na secção desportiva lado-a-lado com Ângelo de Oliveira, outro “embondeiro” de jornalismo desportivo em Moçambique.

Na sua brilhante carreira de jornalismo desportivo, de 25 anos, Meque conquistou o respeito da classe, tendo sido premiado como jornalista desportivo do ano na Gala Nacional de Desporto em 2014.

Nasceu em Morrumbala, na província da Zambézia. Formou-se inicialmente em ensino de Português e História na Escola de Formação de Professores da Beira, Sofala, entre 1982 e 1983, como professor secundário.

Foi ainda na Beira que a paixão pelo jornalismo falaria mais alto, tendo colaborado, entre 1987 e 1988, com o “Diário de Moçambique”.

Entrou para a Redacção do domingo pela portada página juvenil, onde muitos textos da sua lavra foram publicados com o pseudónimo “Malembalemba”.

Ele encantou-nos pelo espírito solidário, pela aceitação da crítica, pela humildade de aprender até dos mais novos e pela vontade de ultrapassar os seus próprios limites quando em causa estivesse a necessidade da melhoria da qualidade do jornal.

Ele tinha sempre opinião. Festejava os sucessos da edição, mas, de forma vibrante, impunha o seu punho crítico, questionando o que não estivesse bem. Bem ou mal, ele queria ser ouvido. Queria sentir que o jornal também lhe pertencia.

As reuniões de planificação editorial nas terças-feiras já não serão as mesmas. O debate, sempre fundamental para o crescimento profissional, ficará mais pobre. Perdemos fisicamente um grande intelectual.

O Meque encantou-nos, sobretudo, pela paixão pela terra que o viu nascer. Sempre que estivesse de férias deslocava-se para a sua Morrumbala.

A sua paixão pelo desporto fê-lo várias vezes envolver-se em campanhas em Maputo na busca de apoios para comprar bolas que seriam posteriormente distribuídas em Morrumbala, onde ele próprio fundou a Zaone, uma organização de natureza humanitária que visava o desenvolvimento daquele distrito zambeziano.

Vamos sentir a falta das “Coisas de Morrumbala”, crónicas da sua deliciosa lavra, que nada mais, nada menos, eram fotografia da terra, da gente, de uma paixão que, à primeira vista, ensinou o homem a dizer que sem amor às origens, na verdade não nascemos, não existimos.

É este amor confesso por Morrumbala que o faz regressar hoje à casa. Os seus restos mortais são transladados, hoje mesmo, e repousarão para a eternidade.

Manuel Meque deixa o jornalismo desportivo (e não só) de luto. Contudo, recusamos admitir que nos deixou. Custa-nos acreditar. Consola-nos a verdade, indesmentível, de que em todos nós deixou uma semente que renasce com a vitalidade que o caracterizava. Neste ponto podemos dizer que ele venceu a morte.

 

Versão-Impressa


Editorial

Aprendizagem, amizade união e competição
domingo, 16 julho 2017, 00:00
Arrancou sexta-feira última na cidade de Xai-Xai, num ambiente desusado, cheio de cor, luz e alegria, a 13.ª Edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares Gaza... Leia Mais

Opinião

Desporto

Nacional

Breves

Sociedade

Reportagem

Cultura

Em foco

Temos 225 visitantes em linha

Banca de Jornais

Sociedade do Noticias
  • EconomiaEconomia
  • CulturaCultura
  • DomingoDomingo
  • DesafioDesafio
  • NotíciasNoticias

Conselho de Administração

Bento Baloi Presidente

Rogério Sitoe Administrador

Cezerilo Matuce Administrador