EFEMÉRIDE: Por detrás de uma grande mulher… há um grande homem

…pois. Cabe a vez aos indivíduos do sexo feminino receberem as granjeadas vénias. Antes tarde do que nunca. A verdade é que, cada vez mais, elas aparecem e convencem; reluzem e encantam. Alastram-se com graciosidade e superam-se. De todas as formas. A sua força e o seu talento já caem no gosto dos homens, dos seus maridos. Lá se foi o tempo do snobismo. 

Esta é altura oportuna para dizer de viva voz “Minha mulher é espectacular”, palavras de Amade Chababe Amade; ou que “A frontalidade dela é fascinante”, Salvador Talapa, ou ainda que se trata de “…uma figura batalhadora e humilde” … “sem defeitos”, António Espada e Jimmy. São os homens a “tirar o chapéu para a(s) mulher(es)”, Gildo Espada; é a sociedade no geral que se rende às evidências. Neste Abril da Mulher Moçambicana, domingo homenageia-a. A todas elas, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico. Entretanto, faz uma vénia especial a Verónica Macamo, Isaura Ferrão Nyusi, Ivone Soares, Luísa Diogo, Ganya Mussagy, Filomena Mutorropa, Mingas, Elvira Viegas, Glória Muianga, Aurélia Manave, Esperança Sambo… e tantas outras, igualmente, batalhadoras, inteligentes, reluzentes e amáveis.

Nas linhas que se seguem, apresenta na íntegra a conversa com companheiros de algumas delas, que nos passaram o testemunho de experiências regadas de glórias, e convida o estimado leitor ao deleite.

 

A MINHA ESPOSA É UM SER HUMANO POR EXCELÊNCIA

 

–Amade Chababe Amade, esposo de Maria Helena Taipo, governadora de Sofala

 

O que significa ser esposo de governadora de uma província?

É uma responsabilidade acrescida, primeiro porque os cidadãos desta província vêem em mim um “papá”. Tratam-me como o pai da província, certamente um facto associado às actividades sociais que venho desenvolvendo no seio das comunidades, sobretudo em zonas recônditas, para além da interacção com jovens, procurando galvanizá-los para práticas saudáveis que os levem para um futuro risonho, longe das drogas e de outros males de que a nossa sociedade tem padecido.

Existirá alguma linha (imaginária)que separa a mulher governadora de Sofala da mulher de Amade Chababe Amade?

Sim. Confesso que uma das coisas que temos perpetuado na nossa relação é deixar assuntos do trabalho do lado de fora da porta da nossa casa. Quando ela está em casa, sobrevem a minha mulher que cuida dos afazeres domésticos, que cozinha, cuida do marido, da família… nunca falamos de assuntos do serviço.

Até em circunstâncias em que algo não tenha andado de feição no trabalho?

Até nesses casos. Na verdade, mesmo se me colocasse, não poderia ajudar a ultrapassá-las pela sua natureza: questões políticas. Não me sinto à vontade para mergulhar nesses assuntos. O que procuro fazer quando sinto que a minha esposa não está nos seus melhores dias é levá-la a pensar e falar de assuntos totalmente avessos ao trabalho, e tem dado certo. Falamos, por exemplo, de desporto, ela entende muito bem desta área, e desanuviamos o ambiente.

Ainda sobre as funções da sua companheira, como avalia o seu desempenho nas lides políticas? Ela nada melhor como governadora ou como ministra?

Vou responder como cidadão e nos seguintes termos: como ministra (do Trabalho) ela desempenhou cabalmente a sua função. Dirimiu vários conflitos, ajudou muitos cidadãos a resolverem os seus problemas, colocou nos carris o que estava fora. Como governadora, ainda que a meio do mandato, tem-se dado muito bem. Aliás, chamam-na de tsunami, pois por onde ela passa arrasta tudo o que não vai bem e repõe o bom-senso e a justeza, daí que granjeia simpatia no seio dos camponeses, operários, empresários… pelo seu sentido de justiça e também pela sua humildade. A minha esposa é muito justa, apesar de prever que nalgumas circunstâncias possa ser mal interpretada. De todas as vezes que recebe uma queixa da população, age no tempo certo, sem deixar nada em banho-maria.

Será caso para afirmarmos que se trata de uma escolha acertada para a província de Sofala, até tendo em conta a composição política desta província: temos a Frelimo e a Renamo em órgãos do poder?

Não tenho nenhuma dúvida em relação a isso. Sou até suspeito para responder nestes termos, contudo digo que se trata de uma escolha acertada. Está a ser possível viver de forma harmoniosa com a oposição, graças ao pragmatismo, ao sentido de justiça e de democracia existentes nela.

Os sofalenses aceitam-na como a mão orientadora da província?

Acredito que sim. Apesar de enfrentarmos diferentes embaraços, especificamente as contrariedades da natureza, refiro-me às calamidades naturais, o povo e os órgãos governamentais têm sabido encontrar formas de reerguer a província, através do incentivo à produção agrícola, entre outras formas. E a pujança da minha mulher é fundamental nestas circunstâncias.

Estamos a falar de uma mulher com M grande…

Sim. Dedicada, sensível, ser humano por excelência. Facilmente fica comovida quando toma conhecimento de algum infortúnio: ela chora. E olha que não são lágrimas de crocodilo. O reflexo destas virtudes são notáveis nas ruas, nos campos de jogos quando as pessoas abordam-me dizendo “dá força aí à mamã”… “que continue assim”…

Como é que se conheceram?

Conhecemo-nos numa altura em que ela era professora de Química em Cabo Delgado, nos anos 1980. Ficámos amigos, entretanto, o destino colocou-nos frente-a-frente em 2008, quando ambos estávamos desimpedidos, e em 2010 contraímos matrimónio.

Quem tomou a iniciativa de avançar nesse relacionamento?

Eu é que a ataquei…

Ao que tudo indica, já vinha gostando dela…

Gostava e admirava-a como mulher, por ser empenhada desde a altura em que era professora em Cabo Delgado. Ela chegava a dar aulas de recuperação para que os seus alunos menos bons assimilassem a matéria, para além de outras acções que me deixavam bem impressionado.

 

SE NÃO FOSSE GOVERNANTE SERIA ESTILISTA

 

A sua mulher é muito vaidosa…

Ah, é?

Essa é a imagem que passa, a avaliar pela forma como se apresenta.

Eu penso que toda a mulher é, ou pelo menos devia ser.

Quanto tempo leva para ficar pronta para sair?

Hum… teria de cronometrar. Vou passar a fazê-lo de hoje em diante.

(risos)

Se não fosse governante, seria estilista.

Sim, concordo. Ela entende de moda. Certas vezes, quando a roupa não cai como devia, dá retoques finais…

Dá palpite na sua indumentária?

Sim. Tenho sugerido que troque, por exemplo, de colar para que combine perfeitamente com um certo traje… entre outras coisas.

Ela acolhe as suas ideias?

Acolhe-as pacificamente.

O que mais gosta nela?

Gosto de tudo, sobretudo da parte humana: solidariedade para com outrem.

Disse-nos, a dado momento desta conversa, que a sua mulher cuida da casa, cozinha… qual é o prato que ela prepara com muito primor?

Ela faz bem caril de amendoim, uma boa matapa.

E quando o assunto é cuidar da família do marido, tem-se saído bem? É boa nora?

É boa nora, boa esposa e boa mãe. Quando participa em cerimónias familiares coloca a mão na massa e trabalha. As pessoas por vezes ficam sem perceber muito bem o que vêem, mas ela se envolve sem fingimento em tudo que for necessário.

Vocês foram atletas, cada um na sua modalidade. Têm praticado desporto?

­Sim, fazemos exercícios, aeróbica…

É romântico. Qual foi a sua maior demonstração de amor?

Sou muito romântico. Difícil falar de uma demonstração de amor. Mas sou muito atento às realizações pessoais da minha esposa. Por exemplo, quando ela foi eleita figura do ano por um dos órgãos de comunicação social, ofereci-lhe um buquet de flores bem grande.

Se tivesse de a levar para uma segunda lua-de-mel, para onde seria?

Arquipélago das Quirimbas. É um lugar lindo.

Descreva a sua esposa, usando uma só palavra.

Espectacular.

Texto de Carol Banze

carol.banze@snoticicas.co.mz

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