Estatísticas à parte, os efeitos nefastos do ciclone Idai vão se fazer sentir por muito tempo. As operações de resgate aos sitiados, feridos, prosseguem com as naturais dificuldades que as circunstâncias impõem. As vias de acesso estão largamente comprometidas. Os meios não são bastantes para resgatar toda a gente com a urgência requerida. As condições sanitárias estão uma lástima. Há ainda milhares de pessoas à mercê do acaso dado que ficaram sem as casas e apenas com as roupas no corpo. Sofre-se.

Idai, pelos seus efeitos, poderia ser comparado ao Inferno de Dante, onde as pessoas são arrebatadas continuamente com chuva e granizo e neve enquanto são laceradas aos poucos, mas mesmo essa descrição estaria, a bem da verdade, longe do apocalipse que se vive no Centro do país, nomeadamente Sofala, Manica, Tete e Zambézia.

Mas em meio as chuvas e cheias que afectaram mais de 423.000 pessoas e causaram perto de 300 mortos, sobretudo na cidade da Beira, onde escasseia água potável, medicamentos,alimentos,entre outros.Num rompante, desencadeou-se um movimento de solidariedade sem paralelo: todos os moçambicanos, num passe de magia, deram-se as mãos e o resultado está à vista; toneladas de alimentos, medicamentos, produtos de higiene, água, vestuário, calçado está a chegar aos necessitados. A par disso, o Governo central assentou arraiais na cidade da Beira e de lá comanda as acções. A comunidade internacional também se compadeceu da nossa dor: navios, aviões, soldados, médicos e outro pessoal está a chegar ‒desde a primeira hora ‒ao local da ocorrência.

Há, no entanto, a reter que apesar dos esforços empreendidos para socorrer os afectados, muita gente continua desaparecida e com o passar do tempo as esperanças, nalguns casos, começam a desvanecer dada a violência que é possível testemunhar pelas imagens que nos chegam e pelo que nos dizem os nossos colegas no terreno. Haverá certamente ainda muitos corpos soterrados e ou arrastados pelas águas porque nem todas as copas das árvores conseguiram albergar tanta gente e os pontos mais altos fora disputados de forma hercúlea dado o desespero.

Estão activos 105 acampamentos nas 4 províncias albergando milhares de pessoas. Não querendo ser alarmistas é de todo lícito alertar para o perigo da eclosão de doenças como malária, cólera e outras que podem, dadas as condições, encontrar terreno fértil para lavrar com consequências apocalípticas. Mas o perigo não mora apenas nos centros de acomodação ‒onde a vigilância pode ser mais apertada ‒,mas também nas zonas residenciais que foram “poupadas” pelo ciclone; as condições de higiene e de saneamento continuam comprometidas. A água potável escasseia. Em grande parte, mesmo na cidade da Beira, a título de exemplo, as pessoas usam latrinas ‒quando não o fecalismo a céu aberto ‒que, com as águas pluviais, foram destruídas espalhando germes por todos os lados.

A situação é mesmo delicada. Diz-se que não há registo de semelhante catástrofe no hemisfério sul do planeta nos últimos 95 anos sinal de que o ciclone Idai lavrou de forma profunda nas 4 províncias supracitadas. Infelizmente há quem veja até nisso uma oportunidade para ficar em bicos de pés e lançar farpas contra o Governo e outras instituições ao invés de fazer alguma coisa para ajudar os necessitados… afinal todos somos poucos para tamanho desafio.

Não tenhamos ilusões. Destruir é fácil. Reconstruir é um desafio muito grande. Nunca o espírito de unidade nacional foi tão desafiado como sucede agora em razão da fúria da natureza.

 

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