Administradores voltaram às aulas de estatísticas agrárias

Texto de César Langa

 

Tem sido comum falar-se de centenas de toneladas de produção de um distrito, pressupondo relativa segurança alimentar, quando mais de metade é perecível. É recorrente juntar-se cereais e hortícolas, incluindo melancia, quando o milho, por exemplo, é base de alimentação, não faz nem um terço do global.

Estes agrupamentos também são prática no sector de pecuária, em que se fala de milhares de animais, quando a maioria são galinhas; os bois não fazem nem um terço. Estes números, sem a devida estratificação, conduzem à ilusão de uma superprodução quando a população vive longos períodos de escassez, principalmente nas zonas onde a produção agrária depende das chuvas.

Esta realidade levou a Direcção Provincial da Agricultura e Segurança Alimentar de Gaza a concluir que há necessidade de harmonizar as estatísticas, para que não se perpetue este engano, que tem dificultado, ou mesmo impossibilitado, eventual ajuda à população.

“Como podemos saber se determinada comunidade precisa de cereais ou de hortícolas, para fazer face à fome, se não temos informação real do produto que escasseia nessa região?”, questiona de forma maiêutica o director provincial da Agricultura e Segurança Alimentar de Gaza, Ernesto Paulino, quando apresentava a razão do seminário de capacitação em estatísticas agrárias, que envolveu administradores distritais, directores provinciais e técnicos distritais de planificação.

Reunidos durante dois dias, no posto administrativo de Chidenguele, no distrito de Mandlakazi, província de Gaza, estes quadros revisitaram as estatísticas, as oscilações dos gráficos de barras e perceberam até que ponto vinham trabalhando de forma ilusória.

 

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