Texto de Idnórcio Muchanga

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Hipopótamos, elefantes e porcos da Reserva Especial de Maputo (REM) continuam a devastar machambas de produtores da localidade de Salamanga, no distrito de Matutuíne, província de Maputo. Aparentemente, o problema não tem solução a curto prazo, apesar dos gestores da reserva garantirem que já existem fundos disponibilizados pelo Banco Mundial para a construção da vedação.  

A invasão de animais bravios está a reacender o conflito entre o Homem e a fauna bravia. Este problema tende a piorar devido à acção de desconhecidos que vandalizam a rede de vedação para a prática da caça furtiva e roubo de painéis solares da REM, o que contribui para a saída de animais.

Segundo os produtores, os danos só não são maiores porque grande parte da reserva continua vedada e beneficia de manutenção constante mas, além dos furtivos, os residentes das cercanias também têm vandalizado a vedação à procura de lenha e estacas.

Nelsa Fumo, agricultora na zona de Matxia, disse que o desempenho na campanha agrícola tem sido afectado, o que reduziu o abastecimento do mercado local.

A nossa produtividade não é visível devido aos animais bravios. Podemos ter boas perspectivas, mas quando chega a época da colheita perdemos parte das culturas”, lamentou Nelsa, para depois acrescentar que a expectativa está virada para a segunda época da campanha agrária.

Para lograrmos os nossos intentos solicitámos o apoio das autoridades competentes para reporem a parte da rede de vedação destruída”, referiu.

Por sua vez, Lúcia Mandlula sublinhou que as autoridades têm de resolver a situação o mais rápido possível, uma vez que têm recebido incentivo, por parte do Governo, para transformar a agricultura familiar em mecanizada, orientada para o abastecimento do mercado local e da cidade de Maputo.

Apesar deste infortúnio, na campanha anterior consegui produzir cerca de 10 sacos de 50 quilogramas de milho, hortícolas diversas e amendoim. Entretanto, se não fosse por causa de animais teria conseguido mais”, apontou.

O presidente da União das Associações Agrárias de Matutuíne, João Cossa, disse que para minimizar a invasão de animais os produtores estão à procura de apoio para fazer a vedação nas suas machambas. Outra solução seria o plantio de piripireiros à volta da rede para afugentar animais como elefantes.

A construção de vedações, segundo dizem, já está a ser feita na zona de Catembe Nsime e os produtores têm tido resultados satisfatórios. “Se não fizermos isso, vamos continuar a gastar dinheiro na aquisição de insumos em vão. Temos de trabalhar em conjunto para proteger as nossas culturas e controlar a situação”, aludiu.

HÁ FINANCIAMENTO

PARA A VEDAÇÃO

O administrador da Reserva Especial de Maputo, Miguel Gonçalves, disse ao domingo que há financiamento disponibilizado pelo Banco Mundial para a construção de parte vandalizada da vedação. Entretanto, não especificou o valor em causa.

Segundo conta, para a concretização do programa, foi contratada uma empresa que deveria fornecer o material e executar os trabalhos, mas até ao momento ainda não arrancou com as obras por razões ainda desconhecidas.

Sem querer fugir da nossa responsabilidade, a população é que tem, insistentemente, vandalizado a vedação para o roubo de painéis solares e varões usados para a construção das suas residências, por isso, depois de repor a rede de vedação, vamos electrificá-la”, argumentou.

Gonçalves referiu ainda que como resultado do conflito entre o Homem e a fauna bravia, até ao momento, foram registados mais de 10 casos de destruição de casas de construção precária por hipopótamos e elefantes, mas não houve vítimas humanas.

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19.10.201Banco de Moçambique