O número de igrejas tem vindo a aumentar a cada dia. Na senda desse facto, domingo saiu à rua para saber dos seus leitores o que acham da multiplicação de locais de culto. Uns afirmam que é benéfica, porque fortifica a fé, outros defendem que é má, pois separa a população.

As igrejas são necessárias

–Mário Fernando, funcionário público  

Penso que a proliferação de igrejas é necessária. As igrejas servem para nos aconselhar, educar sobre como conviver com os outros, a ter bons modos e a amar os outros. Combatem a prostituição e diminuem o banditismo.

O lado mau é que algumas não têm os mesmos objectivos. Algumas propagam crenças que não ajudam, apregoam uma fé falsa, proibindo, em alguns casos, seus seguidores de ir ao médico e de doar sangue.

Promovem perturbações sociais

–Francisco Jamisse, carpinteiro

As igrejas, ao se multiplicarem, criam perturbações na nossa sociedade, porque elas vão à busca de pessoas que já têm as suas igrejas para tentar convencê-las a abandonarem-nas. Quando tentam repescar os que já estão bem enquadrados, estão a criar confusões, uma guerra na tentativa de roubar ovelhas de quem as domesticou. Se estivessem a trabalhar para resgatar os que se encontram nas bebidas e nas coisas mundanas, estariam a fazer um bem maior.

Por outro lado, algumas igrejas são más, porque dão cobertura a falsos profetas, aqueles que querem fazer milagres. Dão falsas esperanças ao povo, sem contar que algumas dessas igrejas não têm objectivos claros.

Não criam harmonia

–Delfina Sitoe, contabilista

Ter muitas igrejas não cria harmonia na sociedade, porque cada um passa a defender a sua doutrina. Por conta disso, a tentativa é de provar que a minha igreja é melhor que a dos outros. Sentimos isso nos nossos serviços, na escola. As igrejas separam-nos até de familiares.

Por outro lado, criam exclusão. As igrejas que surgem hoje têm regras estranhas com relação ao dízimo. Se você tira menos, então, há eventos nos quais não vai participar. Algumas pessoas sentem-se ofendidas com isso. Hoje já falamos mal um do outro, porque interferem na nossa forma de ser e estar.

Têm a tendência de fazer negócio

–Cristina Elisabeth, auxiliar de limpeza

Essas igrejas que se multiplicam não são bem-vindas, porque a tendência delas é fazer negócio. Chegam aqui e começam a extorquir os cidadãos que procuram ajuda. Notamos que elas usam e abusam das necessidades das pessoas para tirar vantagem.

Penso que não são boas influências para a sociedade e as pessoas que vão à busca de salvação nem percebem que estão a ser usadas. Mas como as pessoas andam com muitas necessidades, vão para lá sem visão da realidade.

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21.08.201Banco de Moçambique