Editorial

Formadores, paralisações e responsabilidades

Esta semana, verificamos, com grande preocupação, paralisações de actividades de formação por parte de candidatos a formadores distritais em vários pontos do país. Estes candidatos, como aqui se pode depreender, estão a ser formados para, por sua vez, treinar agentes recenseadores e controladores, que vão executar o trabalho no terreno.

As reivindicações são iguais, pelo menos, nos sítios em que a Comunicação Social escalou e reportou o assunto. Os candidatos a formadores querem melhoria da alimentação que estão a ser servidos nos sítios de hospedagem, melhoria das condições de hospedagem e pagamento de subsídios de transporte.

Foi assim em Gaza, foi assim em Sofala, foi assim na Zambézia e foi assim em Cabo Delgado, só para citar os exemplos mais badalados. Por exemplo, na Zambézia, os candidatos reivindicavam a falta de transporte, condições de alojamento e o pagamento de subsídios. Segundo disseram, alguns ainda não tinham lugar para dormir. Havia casos de pessoas que tiveram que passar a noite, no dia da sua chegada, no edifício do Governo do distrito, e não tinham tido refeição até à tarde do dia seguinte.

Já na cidade da Beira, os candidatos da província de Sofala queixaram-se à governadora Maria Helena Taipo, de más condições de alojamento e de alimentação. Na cerimónia de abertura oficial do curso, os cerca de 400 candidatos a formadores distritais disseram à governante que para além da falta de subsídio, passam uma refeição por dia e mal confeccionada.

Na província de Gaza, a paralisação foi temporária. Os candidatos a formadores locais queixavam-se também das condições de alojamento e da alimentação.

Perante este quadro, a culpa não pode morrer solteira. Há que apurar responsabilidades. Há que investigar para obter respostas cabais sobre o que se passou, tendo em conta que este não é o primeiro recenseamento da população que se faz no país.

Em cada censo é feito o respectivo balanço sobre quais os aspectos positivos e o que correu mal. São feitas recomendações sobre o que correu mal para se evitar os mesmos erros no futuro. Este é o IV Recenseamento Geral da População e Habitação que o país leva a efeito, então devem abundar instrumentos orientadores sobre procedimentos e foram acumuladas muito mais experiências sobre como fazer da melhor maneira.

Pensamos que em primeiro lugar, uns dos factores determinantes é a preparação desta actividade e a comunicação adequada com os visados. Na preparação, incluem-se todos os aspectos, incluindo sair dos gabinetes e ir ver no terreno o que se passa. Quais são realmente as condições de hospedagem e se quem foi contratado para alimentar estas pessoas tem capacidade para o fazer da forma mais adequada. A logística deve estar pronta antes da chegada dos formandos.

Também os candidatos devem saber à partida e de modo claro e franco que condições lhes esperam no terreno, de modo que cada um possa decidir como lhe convier. Não podem ser enganados com promessas de coisas inexistentes. Tem que conhecer o panorama todo para decidir em consciência. Isso é um ponto importante.

Este quadro exclui as negociatas e meias verdades que se jogam no processo por quem pensa tirar algum proveito da situação, estragando todo o processo, desmotivando as pessoas, criando zonas nebulosas à volta do do mesmo. Uma preparação adequada, uma comunicação clara, honesta e rigorosa evita o confluir da confusão a que se assistiu esta semana.

Não se percebe como é que até esta altura não conseguimos hospedar as pessoas a tempo e horas, fornecendo as mínimas condições possíveis e aceitáveis nos locais seleccionados. Não se consegue perceber como essas mesmas pessoas não são alimentadas como deve ser, uma vez tiradas das suas casas.

É que em anteriores formações realizadas antes desta, nomeadamente aquela que foi feita em Maputo a formadores regionais e a que foi realizada na Beira e em Nampula a formadores provinciais, não se verificou tamanha confusão como a que ocorreu esta semana. Talvez porque os grupos alvos eram pequenos.

Entretanto, por parte dos candidatos, há que lhes recordar que não foram seleccionados para um emprego onde se trabalha e se recebe salário. Estão envolvidos numa missão cívica como cidadãos e o Estado precisa de vocês para desempenharem esta função. Não vos vai pagar como seria desejável porque esses meios o Estado não os possui. É que este processo precisa de envolver cerca de 150 mil pessoas entre recenseadores, controladores, guias, supervisores, motoristas, pessoal de poio e outros. A tarefa é gigantesca e precisa do apoio e colaboração de todos.

Como dizia Samora e aqui o citamos de memória “a vitória prepara-se e vitória organiza-se”. Precisamos de fazer isto para evitar novas confusões na formação de agentes recenseadores e controladores, que é o nível mais básico e são aos milhares.

Porque estas confusões todas beliscam de negro todo o processo que o queremos exemplar e que seja feito de modo adequado, com profissionalismo e rigor para obtermos os dados que precisamos e que tornem as nossas estatísticas mais consistentes, sobretudo tratando-se de saber quantos somos e quem somos.

Deixemos o hábito, nestas como noutras circunstâncias, de arranjar desculpas esfarrapadas sempre que as coisas nos correm mal devido ao nosso desleixo e inércia e comecemos a trabalhar na preparação e organização das coisas como deve ser, porque ai o nosso trabalho vai sempre correr da melhor maneira.

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