Editorial

Prevenir é melhor que remediar

Hoje em dia, a Medicina avançou o suficiente para apresentar boas perspectivas de cura ou prolongamento quase indefinido do tempo de vida, mesmo quando se fala de doenças como a SIDA, tema do nosso editorial de hoje

Este ditado, moldado a inumeráveis situações no quotidiano das pessoas, aplica-se igualmen-te à manutenção da nossa saúde. A prevenção é sempre a solução mais barata do que tratar depois.

Uma razão que faz com que diversos países invistam intensamente nela nos campos da saúde é o facto de ser menos onerosa. Os tratamentos costumam ser bem dis-pendiosos, tanto por conta dos honorários dos profissio-nais da saúde, quanto pelo preço dos fármacos.
Quando as medidas preventivas são tomadas correc-tamente é proporcionado ao paciente muito mais chances de cura mesmo que ele mais tarde adoeça. Isso deve-se precisamente às possibilidades muito maiores de se curar praticamente todo tipo de mal quando descoberto de forma precoce. 
Hoje em dia, a Medicina avançou o suficiente para apre-sentar boas perspectivas de cura ou prolongamento quase indefinido do tempo de vida, mesmo quando se fala de do-enças como a SIDA, tema do nosso editorial de hoje. Essas são algumas das razões pelas quais prevenir é sempre me-lhor que remediar. 
Um país com sérias perspectivas de desenvolvimento aposta, por isso, na prevenção.
Todo este arrazoado deriva do facto de o Ministério da Saúde, na apresentação do Relatório de Indicadores Bási-cos do HIV no país, ter chegado à conclusão que as pessoas sabem menos hoje sobre a SIDA do que sabiam em 2009, facto atribuído ao desinvestimento em campanhas de pre-venção. 

 

O desinvestimento na prevenção, o refreamento de fervor em campanhas anti-SIDA activa é um  sinal de alarme em todos nós. É inconcebível, gravíssimo, que apenas 56 em cada 100 mo-çambicanos, homens e mulheres, tenham conhecimento sobre as duas principais formas de prevenção do HIV (uso de preservativo e limitar relações sexuais a único parceiro não infectado).

Aliás, o último relatório dos indicadores do HIV, o IMA-SIDA 2015, indica a importância do conhecimento dos dife-rentes métodos da transmissão do HIV, nomeadamente uso correcto e consistente do preservativo, abstinência sexual, início tardio da prática sexual entre os jovens e redução do número de parceiros sexuais.
Tristemente revela que apenas 54 por cento das mulhe-res e 65 por cento dos homens de 15-49 anos afirmaram saber que o uso consistente do preservativo pode prevenir a transmissão do HIV. 
Sessenta e cinco por cento das mulheres e 72 por cento dos homens sabem que limitando as relações sexuais a um único parceiro não infectado e sem outros parceiros sexu-ais pode prevenir a transmissão do HIV. 
A proporção de homens e mulheres que sabem que usando o preservativo e limitando as relações sexuais a um único parceiro não infectado e sem outros parceiros sexuais pode contribuir para a prevenção do HIV é de 47 e 56 por cento, respectivamente.
 
A variação por província impõe quadro mais desolador. Apenas 28 por cento das mulheres  residentes em Nampula contra 75 por cento em Inhambane conhecem os dois métodos de prevenção. Entre os homens, o nível de conhecimento varia de um mínimo de 34 por cento na província de Nampula para um máximo de 84 por cento em Gaza.
O conhecimento dos dois métodos de prevenção do HIV (fidelidade e uso do preservativo) nos homens e mulheres de 15-49 anos reduziu em relação a 2009.
Na população de homens e mulheres de 15-49 anos, o nível de conhecimento abrangente é de 30 por cento entre as mulheres e 31 por cento entre os homens.
É desta forma que percebemos a profundidade do “gap” criado pelo desinvestimento e refreamento nas campanhas de prevenção, ficando esclarecidas as circunstâncias que ditaram o agravamento dos indicadores do HIV no país.
Segundo o IMASIDA 2015, 13,2 por cento dos homens e mulheres de 15-49 anos são HIV positivo. Comparando os dados de 2009 e 2015, a prevalência do HIV aumentou de 11,5 por cento para 13,2 por cento.
 
A prevalência do HIV estimada em 2015 é maior nas mulheres (15,4 por cento) em comparação  com os homens (10,1 por cento). Em ambos os sexos, a prevalência é maior na zona urbana (20,5 por cento) para as mulheres e 12,3 por cento para os homens, do que na área rural (12,6 por cento para as mulheres e 8,6 por cento para os homens).
Entre 2009 e 2015, a prevalência para homens e mulhe-res na área urbana aumentou de 15,9 por cento em 2009 para 16,8 por cento em 2015 e na área rural aumentou de 9,2 por cento para 11 por cento em 2015.
Em relação às províncias, verifica-se uma grande varia-bilidade na prevalência do HIV para homens e mulheres, tendo a província de Tete (5,2 por cento) registado a menor prevalência e a de Gaza a maior (24,4 por cento).
Comparando os resultados do IMASIDA 2015 e do INSI-DA 2009, a prevalência do HIV aumentou em quase todas as províncias com excepção de Manica e Tete. Duplicou no Niassa (de 3,7 por cento em 2009 para 7,8 por cento em 2015) e aumentou 5 pontos percentuais em Cabo Delgado e Inhambane.
Acreditamos que é tempo de acertar o passo, de res-gatar o passado que nos tornou referência em campanhas anti-SIDA em África e fez de nós uma verdadeira escola de Saúde Preventiva.
Isso passa pela redefinição de políticas públicas asso-ciadas à saúde preventiva, articulada à necessidade de reforço das campanhas de educação e no esboço de indica-dores de referência transversais em todos os sectores da governação pública.
Sugerimos que tal investimento deve fundar-se, sobre-tudo, no sector da Educação, onde a nível do currículo local impõe-se a necessidade de se conferir conteúdos programáticos que colocam a prevenção do HIV como matéria bastante séria na formatação do homem novo, o futuro do país.

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Editorial

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domingo, 16 julho 2017, 00:00
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