Educação cívica também a brigadistas

SOLTA: Carlos Uqueio

Esta é a última semana reservada ao recenseamento tendo em vista as eleições autárquicas de Outubro. Os números não deixam espaço para dúvidas. Há coisas que não estão bem. Até agora foram inscritos pouco mais de 5 milhões de eleitores quando faltam 4 dias para o fim dos dois meses que foram reservados para este efeito. Os órgãos eleitorais sonhavam com pelo menos 7 milhões de eleitores inscritos.

Os números não enganam. É pouco crível que em 4 dias os dois milhões de potenciais eleitores em falta se inscrevam. Vamos ver, no fim da jornada, quando a CNE vier a terreiro com os dados definitivos depois do extenuante e exigente exercício de conciliação a nível nacional. Repetimos, oxalá...

A democracia, como se sabe, assenta precisamente na possibilidade que os cidadãos têm de poder escolher os seus dirigentes por intermédio do voto. Ora, só vota quem está inscrito. A inscrição é feita via recenseamento. Se as pessoas não participam desta fase do processo, naturalmente que, a posteriori, só poderão lamentar “de boca fechada” e submeterem-se à decisão dos que, por direito, terão exercido o seu poder de escolha.

O jogo parece simples mas, infelizmente, não é. Há várias leituras que se podem fazer desta “escassez” de pessoas nos centros de recenseamento e todas elas válidas. Uma é que há um défice acentuado de conhecimento da importância do recenseamento, não obstante esta ser já uma prática rotineira, pelo menos desde a introdução do pluripartidarismo e, por tabela, a eleição através do voto.

A outra leitura é a de que, apertados pela carestia da vida, as pessoas têm tendência natural a desvalorizar tudo aquilo que, aparentemente, não irá aliviá-las do sufoco imediato e, por isso mesmo, preferem deixar tal exercício (recenseamento) para outra altura. 

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