SUZANA SILVA: A Doutora de Reabilitação e Inserção Social!

Texto de Luísa Jorge

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É moçambicana, amante do desporto e, até ao momento, a única médica no país formada em terapia de Reabilitação e Inserção Social pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada em Portugal.

Mesmo assim, não se vangloria, antes pelo contrário, afirma que o país precisa de mais profissionais nesta área.

Alimenta o sonho de um dia criar um centro de formação profissional para jovens com necessidades especiais. Esta é Suzana Silva, mãe de um casal de filhos e apaixonada pelo trabalho que faz com crianças com necessidades especiais.

Suzana Silva é gémea, filha de pai beirense, mãe natural da Namaacha, e neta de portugueses que imigraram para Moçambique ainda na juventude. 

Por causa da natureza do trabalho do seu pai, Suzana passou a sua infância de país em país. Aos dois anos de idade foi viver para a Somália até aos 6; dos 6 aos 12 viveu em Portugal. Com 12 anos retornou a Moçambique, onde viveu até aos 16 anos.

Dadas as condições “não favoráveis”, conforme considerou, que Moçambique atravessava, a mãe decidiu mandá-la com a sua irmã gémea para Portugal para continuar com os estudos.

Aos 24 anos de idade retornou ao país depois de concluir o seu nível superior. A ansiedade de voltar para a terra natal fez escrever uma carta à sua faculdade pedindo a antecipação da defesa da sua tese de licenciatura. “Queria voltar ao meu país de origem e passar o Natal com a minha família. Por isso defendi a minha tese no dia 22 de Dezembro e, dia seguinte, apanhei o voo de volta”, contou aos risos.

Hoje, afirma que o seu curso a fez descobrir que as necessidades especiais numa pessoa não constituem obstáculo. “Fui formada por pessoas com necessidades especiais. O meu professor de Biologia possuía surdez e o professor que me auxiliou na tese de fim do curso era cego. Aprendi muito com eles”.

Para Suzana é importante que se criem condições para a inserção de crianças com necessidades especiais nas escolas e, mais tarde, em instituições de formação profissional para que se tornem adultos autónomos dentro das suas condições. “É importante incutir um novo conceito de pessoas com necessidades especiais e não olhar para elas como incapazes e coitadas. Existem muitos rótulos a estas crianças porque os professores, os pais e a sociedade no geral são ignorantes em relação a muitas doenças de fórum mental como a dislexia e autismo”, exemplifica.

Actualmente trabalha em parceria com diferentes escolas, onde faz acompanhamento terapêutico de crianças autistas e com outros transtornos mentais.

Confessa ser hiperactiva. Até hoje possui sérias dificuldades em permanecer sentada por muito tempo. Aos 24 anos, foi campeã nacional de karaté em Portugal e futebol de salão. Revelou que depois de uma maratona de atletismo, 10 quilómetros, descobriu a primeira gravidez.

Não consome carnes vermelhas e não dispensa massas. Nos tempos livres dedica-se à família. “Gosto de cuidar pessoalmente dos meus filhos. Para mim, babá é para ficar com os meus filhos quando vou ao serviço, apenas”.

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