Há razões que a razão desconhece

Bula-bula percebeu, por portas e travessas, que os responsáveis primeiros da Comissão Nacional de Eleições (CNE) não estavam satisfeitos com o nível de inscrições dos potenciais eleitores. A cifra, pelo que se sabe, anda muito abaixo das expectativas. Em palavras terrenas, a malta não está a recensear.

Muitas razões podem ser evocadas para a pouca participação dos cidadãos no processo. Certamente a CNE terá um trabalho de toupeira para descortinar as reais causas que – dando palpite sem ninguém pedir – podem ir do desalento criado pelas dificuldades da vida até a incerteza do futuro por causa dos últimos acontecimentos políticos.

Pelo sim, pelo não, Bula-bula quer partilhar uma triste experiência que vivenciou no dia em que decidiu fazer a sua inscrição em estrita obediência ao apelo da CNE mas também pela importância que reputa o processo eleitoral, a necessidade de contribuir, como parte desta pátria, no processo de escolha dos dirigentes, etc., etc.

Bula-bulaconfessa, à partida, que não conhece os critérios que ditaram a selecção dos agentes de recenseamento mas –com o perdão da dúvida – adianta que em próximas ocasiões será preciso afinar o crivo para transitarem apenas aqueles que mostrarem verdadeiras capacidades psico-motoras para a tarefa.

É que no tal dia duas cenas puseram em causa o esforço de toda uma Nação (podem ser apenas episódio fortuitos mas não são de desprezar) na edificação de um verdadeiro Estado de direito.

EPISÓDIO 1

Dois agentes em animada conversa.

Agente um: Eu não aceito essa coisa de a pessoa vir aqui fazer recenseamento sem documentos.

Agente dois: Como assim? Sabes que há muita gente sem documentos?

Agente um: Sei mas porquê não tratam? Só para nos estressarem. Eu não aceito.

Agende dois: sabendo disso, por isso abriram a possibilidade dessas pessoas, tendo duas testemunhas, poderem se inscrever.

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