Primeiro Mugabe, do Zimbabwe, agora Bouteflika, da Argélia, alguns ícones dos movimentos de libertação em África estão a transformar-se em “inimigos” dos povos que juraram libertar da opressão. Mugabe foi destronado pela pressão do “povo” que sempre jurou servir, mas não sem antes ter tentado se perpetuar no poder, facto que fez com que tal “povo” o visse como o vilão da história do país. Nas últimas semanas, desde que anunciou a intenção de concorrer a um quinto mandato, Abdelaziz Bouteflika está a enfrentar uma série de protestos sem precedentes. Nem mesmo a proibição de protestos na capital da Argélia impediu o “povo” de ir às ruas demonstrar o seu desagrado em relação à decisão. A história destes dois “monstros” da libertação assemelha-se não só por terem sido libertadores das respectivas pátrias, mas também por uma eventual supervalorização da sua própria popularidade no seio do povo. Essa “má leitura” da situação prevalecente tornou Mugabe vilão e tudo indica que está a conduzir Bouteflika para o mesmo destino.

No caso do Zimbabwe, Mugabe, mesmo com alguns incidentes, em eventos públicos, que denunciavam alguma fragilidade na sua saúde dada a sua elevada idade, estava convencido que ainda tinha as forças necessárias para continuar a dirigir os destinos do país. Era como se alguma força superior tivesse destinado a tarefa de governar o Zimbabwe à sua pessoa. Ele desejava e acreditava que a sua presidência era vitalícia e que, por isso, somente a força divina é que o devia remover do poder convocando-o ao eterno descanso.

A percepção sobre o seu vitalício direito de governar o Zimbabwe tornava-se ainda mais forte pelos relatórios que recebia dos seus mais próximos conselheiros. Talvez “mal informado”, Mugabe estava convencido de que tinha o controlo absoluto da máquina partidária que o suportava na governação. O que ele não sabia é que o desgaste em relação à sua imagem não estava somente no seio do “povo”, que já estava a minguar pela situação económica do país e queria resultados, mas que o maior problema estava no seio dos seus correligionários. Entre intrigas e traições intrapartidárias, Mugabe caiu do poder não como um herói que os zimbabweanos sempre o consideraram, e talvez continuem a considerá-lo, mas como o “vilão” que conduziu o país ao abismo. O pretenso direito vitalício de governar não passou, afinal, de uma ilusão alimentada pela “ganância” de manter-se no poder.

Por Edson Muirazeque *

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