O Zimbabwe realizou, no dia 30 de Julho de 2018, as suas primeiras eleições depois da queda de Robert Mugabe, vítima de um golpe de Estado protagonizado pelas Forças Armadas. Foi graças ao golpe de Estado que Emerson Mnangagwa tornou-se presidente interino do Zimbabwe com o compromisso de organizar as eleições presidenciais e legislativas, num breve espaço de tempo. De facto, o Presidente Mnangagwa anunciou, no dia 30 de Maio, o dia das eleições desencadeando-se assim o início do processo eleitoral pós-golpe de Estado que na nossa análise tem elementos de ruptura e de continuidade quando comparado com os processos realizados na era Mugabe.

As eleições da era pós-golpe de Estado, no Zimbabwe, representam uma ruptura com a era Mugabe na medida em que o Governo zimbabweano: (i) permitiu a presença de missões de Observação Eleitoral do Ocidente com maior destaque para a União Europeia (UE), o que não acontecia desde 2002, (ii) organizou as eleições de tal forma que as declarações iniciais das missões de observação eleitoral elogiaram a forma pacífica e harmoniosa como o processo de votação foi conduzido e (iii) demonstrou uma abertura democrática sem precedente corporizada pela atitude do Presidente Mnangagwa, candidato da União Africana Nacional do Zimbabwe - Frente Patriótica (ZANU-PF), que aquando do anúncio dos resultados preliminares das eleições legislativas, comunicou à nação zimbabweana, através do Twiter que estava em contacto com Nelson Chemisa, presidente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) e apelou à responsabilidade e à paz.

Apesar deste esforço de ruptura com práticas da era Mugabe, ainda há fenómenos que remetem para a continuidade desse período, nomeadamente: (i) o uso das forças armadas para repor a ordem pública e que normalmente acaba produzindo vítimas mortais – até 1 de Agosto notícias apontavam para 3 mortos, (ii) a contestação precipitada da oposição e sem racionalidade verificável à luz dos dados eleitorais disponibilizados pela Comissão Eleitoral do Zimbabwe, (iii) a convicção do MDC de que qualquer resultado desfavorável a si, significa que houve fraude eleitoral.    

Por Paulo Mateus Wache*

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