Texto de Leonel Muchano, da AIM, em Beijing

 

Os países africanos renovaram o pedido à República Popular da China para travar a exportação, para os mercados do continente, de produtos de baixa qualidade, que além de não contribuírem para a melhoria dos padrões de vida dos consumidores agravam outros problemas, incluindo os ambientais.

A renovação do pedido aconteceu durante os debates do 7.º Fórum da Comissão de Peritos China-África, que durante dois dias até a última quinta-feira congregou maioritariamente quadros do mundo académico, do circuito da comunicação social tanto do país anfitrião como de estados africanos, para uma reflexão sobre os desafios na esfera da cooperação.

Na pauta de aspirações, os peritos africanos defenderam igualmente a necessidade de o país parceiro, que está a desempenhar um papel importante na transformação socioeconómica do continente, começar a pensar na implantação das indústrias de produtos exportados aos mercados do continente.

Segundo Peter Kagwanja, do Instituto de Política de África, organismo baseado em Nairobi, Quénia, os produtos de baixa qualidade têm grande impacto nas economias das famílias africanas que, repetidas vezes, têm de subtrair os seus rendimentos para a aquisição do mesmo produto ora avariado ou quebrado, em muito pouco tempo de uso.

Na óptica de Kagwanja, a abertura de fábricas em África que manufacturam os produtos que os consumidores africanos adquirem em maior quantidade não só vai gerar emprego como acrescentar valor à matéria-prima que, na maioria dos casos, sai do continente para a China e retorna na forma de produto acabado.

Este paradigma nas relações socioeconómicas com a África pode constituir um ponto de viragem e acelerar a consumação das aspirações do continente, ainda envolto em muitos problemas cuja solução não é impossível mas que passa pela adopção de medidas acertadas para o efeito”, disse Kagwanja, que é igualmente presidente do organismo.

 

A questão dos produtos de baixa qualidade exportados para África tem estado a suscitar diversas perguntas nos encontros com os governos tanto provinciais quanto central, em Beijing, a fim de entender as reais motivações, numa altura em que a segunda maior economia mundial se orgulha do sucesso e excelência qualitativa.

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19.10.201Banco de Moçambique