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VISITA PRESIDENCIAL: Abertos novos horizontes na cooperação com os EUA

O Presidente da República, Filipe Nyusi, mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados durante a sua visita de trabalho, que efectuou aos Estados Unidos da América na semana passada. O Chefe de Estado, que encabeçou uma missão do governo e representantes do sector privado, assumiu que “esta visita foi melhor porque superou as nossas expectativas e as do empresariado americano”.

A deslocação do Presidente da República aos Estados Unidos da América (EUA) foi realizada no contexto de um convite endereçado pelo Conselho Corporativo para África para participar na 11ª Cimeira Bienal de Negócios entre África e os EUA.

Na verdade, há 20 anos que Moçambique não era convidado ao mais alto nível para tomar parte deste tipo de evento. A última vez que o país acedeu a um convite do género foi em 1997, na primeira bienal e o timoneiro da delegação foi o Presidente Joaquim Chissano.

Neste momento, viemos dizer que Moçambique está de volta como país que possui uma economia próspera. Dizemos isto não apenas porque se observa a descoberta de jazigos de importantes recursos, como o gás natural, carvão, entre outros, mas porque pretendemos transformar essas inúmeras potencialidades e possibilidades de negócio em riqueza”, disse.

Depois de enumerar o potencial que o país possui, o Presidente Filipe Nyusi repisou para os cerca de 700 participantes ali presentes que “agora é tempo de olharmos para frente, uma vez que o país está a dar sinais vitais de estar a ultrapassar os obstáculos”.

Um dos percalços mais importantes que se está a superar presentemente é o da atracção de importantes investimentos no domínio da exploração dos jazigos de hidrocarbonetos localizados no extremo Norte da província de Cabo Delgado.

Neste quesito, Filipe Nyusi disse que foi possível atrair 15 bancos e cinco agências de crédito para as exportações do gás natural a ser extraído numa das áreas concessionadas, facto que denota que os investidores dão um voto de confiança ao país e seu no governo, daí que reitera alto e em bom som, para todos os quadrantes que “Moçambique está de volta e os vossos investimentos estão seguros”.

O Presidente da República falou como orador principal e único Chefe de Estado convidado para uma audiência composta por mais de 700 pessoas, idas de 31 países de quatro continentes, entre as quais 15 eram ministros e 80 eram directores de empresas africanas e dos EUA.

Foi neste ambiente que Filipe Nyusi esmiuçou os seus planos e programas relativos ao desenvolvimento dos sectores que assume como prioritários, mas com ênfase para o sector agrário, e também se referiu aos desafios resultantes da crise económica e da necessidade do resgate da paz definitiva.

Nutrimos uma esperança justificada de que esta visita irá contribuir para se dar passos qualitativos para a superação destes desafios porque eles (os desafios) constituem um entrave para a nossa prosperidade e viabilização dos investimentos directos estrangeiros”, referiu.

PERGUNTAS E RESPOSTAS AO VIVO

No decurso da 11ª Cimeira Bienal de Negócios entre África e os EUA, o Presidente Nyusi foi submetido a uma interacção ao vivo, onde o “entrevistador” era o Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, com os mais de 700 participantes como plateia.

Adesina começou por questionar ao Presidente Filipe Nyusi de que forma encarava a nova visão norte-americana introduzida pela Administração de Donald Trump sobre os investimentos em África, no geral e a resposta foi feita nos termos que se seguem.

Todas as visões são importantes, mas cada uma delas deve ser vista como uma oportunidade para resolver determinados problemas. Os EUA têm a sua visão e suas preocupações, mas, quero sublinhar que vemos os EUA como um parceiro e não como um simples doador e nós (África) como receptor”.

A seguir, recorreu ao adágio popular africano que diz “não me dê peixe, dê-me o anzol” para explicar que o investimento ou doações norte-americanas devem ser vistos como anzois para a geração de riqueza para os povos deste continente.

Portanto, não vejo a visão como uma ameaça. Vejo, sim, como oportunidade para juntos alavancarmos a economia. Mas, o pescador deve ficar com o anzol para sempre”, ajuntou.

Akinwimi Adesina manifestou-se satisfeito com a analogia do peixe e do anzol, mas reforçou que é preciso conservar, processar esse marisco. “Sabemos que em África tem 54 milhões de pessoas que não tem electricidade e não se pode desenvolver sem energia eléctrica. Quais são as reformas que traz para atrair o sector privado para investir no seu país?”

Para esta questão, Filipe Nyusi deu o seu brilharete afirmando que Moçambique é um país com potencial para a produção de energia a partir de todos os recursos possíveis, nomeadamente, energia hídrica, eólica, fotovoltaica, bastante carvão mineral e de gás natural.

O potencial de produção de energia eléctrica em Moçambique é enorme. Moçambique não está mal iluminado e, neste momento, aquilo que nos preocupa não é energia para a iluminação. Queremos energia para a produção, industrialização e agricultura”, disse.

Para ilustrar a vastidão de potencial de investimento que há neste sector, o Presidente Nyusi explicou que existe a questão da integração regional, onde Moçambique fornece energia aos países com que faz fronteira, com realce para a África do Sul, Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, com espaço amplo de poder fornecer energia a mais países da região.

Tudo isto demonstra que temos a consciência de que nada se pode desenvolver sem energia firme e abrangente. Por outro lado, estamos a abrir o mercado para que mais empresas possam se envolver neste sector e temos empresas privadas que já produzem energia a partir do gás e vendem. Há um vasto mercado nacional e regional e temos capacidade para produzir energia a partir do carvão, rios, sol, vento e gás. Temos todo esse potencial”, frisou.

A pergunta de seguinte feita pelo presidente do BAD teve a ver com a volatilidade dos preços dos produtos básicos resultante da crise económica internacional, num contexto em que os países africanos fazem pouco comércio entre si e geralmente exportam matéria-prima no lugar de produtos acabados. “O que o seu país está a fazer no domínio das infra-estruturas para promover o comércio intra-africano e, particularmente, regional?

Filipe Nyusi respondeu a esta questão saudando o BAD por desempenhar um papel importante em Moçambique ao apoiar o desenvolvimento de várias infra-estruturas, nomeadamente, estradas, ferrovias e portos.

Apontou que na ligação entre este país e os que o rodeiam é feita a partir de estradas, ferrovias e portos que são comunicáveis, estando em curso vários projectos de edificação de vias de acesso aos locais de produção. Para exemplificar buscou o caso da estrada Moeda-Negomano, localizada na província de Cabo Delgado, que vai ligar com a República da Tanzânia, e a reabilitação da estrada Beira-Machipanda que liga com o Zimbabwe.

Mas, não podemos nos fixar apenas nas infra-estruturas numa perspectiva meramente económica, temos que ter uma visão social, porque, no final, quem se deve beneficiar destes investimentos é o cidadão. A melhor forma de inclusão é entregar os serviços ao povo. O importante é que é preciso ter boas políticas, estratégias, maior transparência, menos corrupção para que os investimentos que ocorrem no país possam chegar ao cidadão”, destacou.

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