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CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA: Cultivar tolerância e amor ao próximo

– revelam os crentes por ocasião do Domingo da Páscoa

Cultivar o espírito de tolerância e amor ao próximo foi uma das recomendações deixadas pelos crentes de diferentes congregações religiosas, como forma de celebrar a Páscoa que simboliza a ressurreição de Jesus Cristo.

Para os crentes das diferentes igrejas cristãs, a Páscoa é o momento de ressurreição para vida nova em Cristo. Pois, segundo a sagrada escritura foi nessa data que Jesus Cristo ressuscitou três dias após a sua morte na cruz. Ainda de acordo com a bíblia a morte de Cristo foi materializada para salvar a humanidade do pecado mortal.

Esta celebração inicia com a celebração do Domingo de Ramos (que simboliza a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém), para assinalar o início da Semana Santa que compreende a celebração da instituição da Eucaristia (Quinta-feira Santa), Paixão do Senhor (Sexta-Feira Santa), Sábado Santo e Domingo da Ressurreição.

No entanto, é hoje, domingo, um dos dias mais importantes da Semana Santa, pois é nesta data que recuamos no tempo e nos recordamos da vitória de Cristo sobre a morte, ou seja, em que ele vence a barreira da morte para a vida, momento em que os cristãos renascem com ele no espírito.

Contudo, o renascimento é celebrado num momento em que a sociedade moçambicana é assombrada por diferentes crises com destaque para a violência doméstica que se tem assistido no dia-a-dia e que muitas vezes é reportada através da comunicação e redes sociais.

Neste âmbito, o domingo interagiu com alguns cidadãos para colher deles a sua sensibilidade em relação a esta realidade. A  falta de amor e tolerância para com o próximo foi o denominador comum apontado pelos nossos interlocutores.

Já não há diálogo nas famílias

– Isaías José Mulungo

Para Isaías Mulungo, crente da Igreja Católica, a falta de diálogo no seio das famílias é um dos factores para a eclosão da onda de violência nas pessoas.

“As famílias não falam sobre o que lhes fere, acumulam os problemas e são tomadas pela falta de respeito. Já não há ordem em casa. Não existe um chefe de família porque não se respeita a posição de cada um em casa”, afirmou Mulungo.

Evangelizar para salvar vidas

– Irmã Leonor Bernardo

Para a irmã de caridade e serva do Espírito Santo Leonor Bernardo, a evangelização da palavra de Deus constitui uma das formas mais eficazes para acabar com a crescente onda de violência que temos assistido nos últimos tempos.

“Como serva do Espírito Santo, tenho o dever de evangelizar mais os nossos irmãos para que eles sejam salvos pela palavra de Deus, pois só a fé pode trazer a ressurreição e mudança”, disse.

A Irmã Leonor revelou ainda que existem muitas crenças e, na sua opinião, o que está a acontecer é que cada um está a seguir o seu caminho, pois existe a liberdade de escolha. Entretanto, lamentou o facto de a sociedade estar a tornar-se cada vez mais materialista.

Devemos perdoar

– Ernesto Merque

“A violência é fruto do não conhecimento dos mandamentos de Deus. Nos mandamentos, é-nos aconselhado a saber amar e perdoar. Estes actos são para ser praticados no nosso quotidiano”, afirma Ernesto Meque, crente da Igreja Católica.

De acordo com o nosso interlocutor, os princípios morais dados pela palavra de Deus também trazem união. No seu entender as pessoas estão a perder o que a igreja nos ensina.

Valorizamos futilidades

– Lúcia Chaisse

A perda de valores morais e o respeito próprio são para Lúcia Chaisse, evangélica, um dos factores que faz com que a sociedade se tenha tornado muito violenta. No seu entender, a Páscoa devia servir de momento de reflexão sobre o sacrifício de Cristo para salvar a humanidade.

“Nós não honramos o sacrifício que Cristo nos passou. Vivemos e valorizamos futilidades. Não existe respeito. Isto deixa-me profundamente triste”, revelou.

Hoje temos muitas igrejas de má-fé

– Natália Verniz Mainato

“Hoje temos muitas congregações religiosas, mesmo assim, as pessoas não têm fé dentro de si. Há muitas igrejas que agem de má-fé e enganam os seus crentes com a palavra de Deus para alcançar os seus intentos”, apontou Natália Mainato, crente da Igreja 12 Apóstolos.

Para a nossa interlocutora, é paradoxal que os crentes das muitas igrejas que surgem diariamente sejam dianteiros na desonra dos respectivos princípios.

Para exemplificar o seu depoimento, Natália Mainato recorreu ao episódio do casamento de uma pessoa conhecida numa igreja, que, entretanto, o escondeu aos parentes de ambas as partes por recomendação do pastor da mesma igreja.

Texto de Luísa Jorge

luisa.jorge@snoticicas.co.mz

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domingo, 27 agosto 2017, 00:00
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