PANIFICADORA: “Espiga d’Ouro” vai produzir mais de um milhão de pães por dia

Está prevista para o dia 31 de Agosto próximo a inauguração e o início das actividades da panificadora industrial Espiga d´Ouro, propriedade do Premier Grupo Mica. A infra-estrutura, localizada na zona da Casa Branca, no Município da Matola, vai produzir um milhão e oitocentos mil pães por dia, números que poderão ser incrementado gradualmente para abastecer o mercado da província e cidade de Maputo.

A nossa Reportagem apurou que uma das novidades que esta padaria vai trazer ao país está relacionada com uma produção totalmente industrial sem precisar da intervenção do Homem, a não ser para ligar a maquinaria, carregar as caixas de pão e a respectiva comercialização. O empreendimento tem tecnologia de ponta.

A maquinaria instalada vai precisar de cerca de 12 metros cúbicos de água por hora. Para tal, foi aberto um furo e montados oito tanques com capacidade para 500 mil litros para absorção e armazenamento de água, que vai suportar o abastecimento naquele local, sobretudo na área operatória, onde foi montado um sistema de rega a vapor para humedecer a massa do pão, antes de ser levado ao forno.

Segundo dados avançados no local, a infra-estrutura, incluindo a maquinaria moderna, está avaliada em cerca de 50 milhões de euros e está em fase conclusiva. A construção da padaria Espiga d´Ouro iniciou em 2015, tendo em vista abastecer a zona sul do país.

Ao que domingo apurou, um empreendimento do género será construído, dentro de cinco anos, no distrito de Nacala-a-velha, na província de Nampula, para abastecer a zona norte do país.

Segundoo Presidente do Conselho de Administração (PCA), Hussein Ali Ahmad, a Espiga d´Ouro, que vai operar 22 horas por dia,vai produzir pão tradicional na quantidade de um milhão e quinhentos milpor dia. Em relação ao pão redondo vai-se produzir 750 mil pães por dia e 135 mil pães de forma também em 24 horas.

“O trigo para o fabrico do pão será adquirido a nível nacional, de modo a dinamizar-se a industrialização.Neste caso, vamos trabalhar com as moageiras nacionais. Ao todo serão necessários cerca de quatro mil sacos de 50 quilogramas por dia”, disse.

Num outro desenvolvimento, o PCA disse que o pão vai ser comercializado, numa primeira fase na cidade e província de Maputo, mas depois vai-se expandir para as províncias de Gaza e Inhambane, pois os investidores acreditamna potencialidade do mercado nacional. O pão será vendido a preço acessível, diferente do já praticado no mercado.

Conforme Hussein Ali Ahmad,se o Governo permitir que a Padaria Espiga d´Ouro tenha postos de venda de pão, distribuídos pela província e cidade de Maputo, poderá empregar 1200 trabalhadores e caso não sejam permitidos, vão criar até 800 oportunidades de trabalho.

Por sua vez, o Ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, disse queaquele empreendimento vai criar uma dinâmica e sofisticação na oferta do pão no mercado da capital, tendo em conta a capacidade instalada, que vai concorrer para a estabilização de preços e bem como para o cumprimento do peso do pão.

Tonela assegurou que o país tem a capacidade para fornecer o trigo necessário àquela padaria industrial. Por isso, o Governo através do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) está a trabalhar para criar mecanismos logísticos para o escoamento do milho produzido em Tsangano, em Tete, que até o momento, a maior parte da produção, está a ser comercializado no país vizinho, Malawi.

Governo cria estratégia

para escoamento da produçãoO Director-geral do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), João Macaringue a assinou, semana passada, em Maputo, um memorando de entendimento com a MEREC-Industries, uma empresa de farinação vocacionada ao fabrico de massas, bolachas e rações animais, para a aquisição, numa primeira fase,de 30 mil toneladas de milho, que serão fornecidos por produtores nacionais já identificados.

 

Ainiciativa veio em resposta a iniciativa presidencial de aumento da produção e produtividade no país. Por isso, a ICM procura garantir que a produção seja processada, armazenada e colocada no mercado nacional.

“Neste momento estamos a trabalhar de modo a colocar na cadeia de produção as pessoas que deverão intervir para a materialização desta acção, nomeadamente os produtores, armazenistas, transportadorese, sobretudo, as indústrias, uma vez que tem que garantir a absorção da produção nacional”, disse Macaringue.

Ao nível do Ministério de Indústria e Comercio (MIC) foram escolhidas asprovínciasde Tete e Nampula que são potencialmente produtoras e sem a capacidade de armazenamento e ainda tem dificuldades de colocar a produção no mercado nacional.

Por seu turno, Gilberto Cossa, director-geral do MEREC-Industries, disse que vão trabalhar com o ICM e o Ministério de Agricultura e Segurança Alimentar (MASA) para poder armazenar e fornecer milho de primeira qualidade.

De referir que a capacidade diária doMEREC-Industriesna produção de bolachas é de 24 toneladas mas apenas conseguem colocar cerca de 30 toneladas até o fim do mês, devido a concorrência desleal de marcas estrangeiras. Em relação a trigo, aquela instituição é amaior fornecedora do mercado e consegue colocar no mercado nacional mais de 500 mil toneladas por dia.

Idnórcio Muchanga

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