A empresa Electricidade de Moçambique (EDM) continua com a situação operacional deficitária, em cerca de 30 milhões de dólares americanos, apesar dos últimos três ajustamentos. O défice resulta, dentre outros factores, do congelamento de ajustamento tarifário entre os anos 2007 e 2015.

Contribui igualmente para o défice o aumento dos custos de aquisição de energia aos Produtores Independentes de Energia (IPPs), a erosão da tarifa devido à depreciação do Metical acentuado em 2015 e 2016 (em mais de 63 por cento)e aumento dos custos de aquisição de energia com a entrada das novas fontes de geração de energia.

Também resultou do fosso entre a tarifa de energia (PMV) e o Custo de Fornecimento, decorrente do défice de alocação de energia da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) para o país, o que reduziu a contribuição da HCB no balanço energético de 96 para 55 por cento entre 2004 a 2018.

Por outro lado, os custos de aquisição de energia cresceram exponencialmente. Se em 2013 os custos de compra de energia eram de 95 milhões de dólares americanos, no ano de 2017 passaram para 314 milhões de dólares, tendo aumentado quase quatro vezes durante o período em análise.

Dados em nosso poder indicam que em 2018 os custos de aquisição de energia eléctrica foram de 327 milhões de dólares americanos, dos quais 258 milhões de dólares são dos Produtores Independentes de Energia, 56,7 milhões de dólares foram da HCB e 12,6 milhões de dólares resultam da importação de energia eléctrica.

domingo apurou que a entrada das novas fontes de geração de energia contribue grandemente para aumentos de custos de aquisição de energia, pois a tarifa de venda da EDM está ainda indexada aos custos de aquisição de energia da HCB. Em 2017, cerca de 43 por cento da energia produzida pelas novas centrais de geração custou cerca de 87 por cento do total dos custos de energia.

Em consequência, os custos de aquisição da energia representam cerca de 77 por cento do total das receitas em 2018.

Fontes da EDM garantiram ao nosso jornal que o preço médio de venda de energia entre 2005 e 2016 degradou-se acentuadamente. No entanto, o sector eléctrico cresceu em termos de investimento em infra-estruturas, número de clientes e entrada de produtores independentes.

Foi então que a partir de 2015 o sistema eléctrico de transporte começa a entrar em colapso devido a vários factores com destaque para o défice de capacidade de geração, infra-estruturas obsoletas, sobrecarga da infra-estrutura de transporte e distribuição, fiabilidade e segurança energética.

Por outro lado, a EDM tinha falta de recursos para actividade de operação e manutenção, falta de redundância e qualidade de serviço e défice de investimento na rede TX e DX.

Refira-se que a maior parte dos transformadores e linhas de transportes encontra-se em estado crítico. A título de exemplo, as subestações da Machava, Matola-Gare e a móvel de Infulene apresentam índices de carregamento acima dos 100 por cento.

Texto de Angelina Mahumane
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