MANUEL DE MORAIS: O mentor da Faculdade de Educação Física na UP

Texto de Jocas Achar

O Sonho era ser engenheiro electrónico mas acabou parando na docência, onde granjeou respeito e admiração não só dos estudantes como também de amigos de infância e colegas. Foi o mentor da criação da Faculdade de Ciências de Educação Física e Desportos da Universidade Pedagógica (UP) após a conclusão do doutoramento na Alemanha. É professor de carreira e actualmente é director da delegação da Universidade Pedagógica em Quelimane desde 2003.

Trata-se de Manuel José de Morais, 67 anos, natural do Ile, na província da Zambézia, que recentemente foi homenageado pelo Centro de Estudos de Desenvolvimento da Zambézia e pelo CTA em reconhecimento do seu trabalho na academia e no desporto.

Diz que está surpreendido com a iniciativa porque em Moçambique os homens são homenageados a título póstumo. Foi este o pretexto para a conversa na qual se aborda a pertinência da aposta no ensino técnico-profissional, a falta de definição clara de agenda do desenvolvimento e o desporto.

Fale-nos do seu percurso até à direcção da Universidade Pedagógica em Quelimane.

Nasci em Mulevala; os meus estudos, da 1.ª à 2.ª classes, foram feitos em Errêgo, actual sede distrital do Ile. Em 1959 passei a estudar num colégio em Zalala e, um ano depois, em Quelimane para fazer a 3. ª e 4. ª classes. O colégio que recebia filhos de administradores, assimilados e comerciantes. Fiquei ali até concluir o segundo ano do curso industrial.

Qual foi o curso?

Electricista-montador. Depois fiz a secção preparatória para os institutos industriais. Paralelamente, porque tinha tempo fiz o 7.º ano do Liceu, na actual Escola Secundária e Pré-universitária 25 de Setembro.

Quando entra para o professorado?

Nessa altura que estava a fazer a secção preparatória tinha ido à Beira fazer exames para o Instituto Industrial; e tinha concorrido ao curso de Educação Física e Desportos e os resultados saíram na mesma altura e com classificação positiva. Ir à Beira significava mais despesas. Então, a preferência foi Lourenço Marques porque tinha familiares, o que reduziria custos. O curso de professor de Educação Física e Desportos era de dois anos, então eu e o meu irmão gémeo preferimos assim. Todavia, quando terminei o curso básico de electricista-montador estagiei na Central de Quelimane, em 1968. A Escola Técnica, hoje, Instituto Comercial, pediu-me para dar aulas. E deixei de frequentar o curso de Educação Física e Desportos e regressei a Quelimane para dar aulas. O meu irmão gémeo ficou em Lourenço Marques. Enfrentei o problema de enquadramento, porque o sistema colonial era bastante proteccionista em relação aos professores de Educação Física. A disciplina deveria ser leccionada por elementos das forças armadas ou um médico. Não me deram as vinte e duas horas exigidas na leccionação, pelo que noutras doze tinha de trabalhar como contramestre nas oficinas de electricidade.

 

Qual era o seu sonho, docência ou electricista-montador?

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