Texto de Jorge Rungo e Fotos de Jerónimo Muianga

As obras de construção da primeira fábrica de açúcar orgânico que decorrem no distrito de Chemba, província de Sofala, estarão concluídas em seis a oito semanas, conforme assegurou o gestor da iniciativa Rademan Van Runsberg. O produto deverá ser exportado na sua totalidade para a Europa.

Trata-se de um projecto que está a ser desenvolvido com financiamento estimado em 35 milhões de dólares desembolsados pela empresa EcoFarm, dona da iniciativa, e que conta ainda com a ajuda do Banco Mundial, e dos governos de Moçambique e Holanda.

Conforme os acordos de financiamento, a parte cedida pelo Banco Mundial está a ser gerida pelo Fundo Catalítico adstrito à Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, o qual reza que a empresa EcoFarm deve servir de fulcro para o desenvolvimento das comunidades e das pequenas e médias empresas existentes em seu redor.

A ideia é produzir açúcar obedecendo a princípios ambientais no que diz respeito ao uso exclusivo de adubos orgânicos que serão produzidos localmente a partir de processos de compostagem de estrume do gado bovino, caprino, entre outros, e restos da folhagem da própria cana.

Rademan Van Runsberg disse ao domingo que “já dispomos de 1400 cabeças de gabo bovino, mas a nossa meta é ter pelo menos 3000 bovinos e o maior número possível de caprinos e ovinos que nos vão oferecer estrume que serão misturados com o desperdício vegetal fabril e folhagem para a produção de adubo orgânico”.

De igual modo, a empresa EcoFarm espera contar com a colaboração da comunidade local para o fornecimento de estrume que será processado para o mesmo fim e também para viabilizar o aumento da produção e da produtividade de alimentos nas áreas circundantes.

Além da reutilização destes materiais, estão a ser instalados equipamentos que vão permitir que o bagaço resultante da produção de açúcar seja usado para a geração de dois MegaWatts de energia eléctrica que serão utilizados pela mesma fábrica no seu processo produtivo.

Esta unidade fabril deverá explorar uma área máxima de 850 hectares para produzir de 80 a 120 toneladas diárias de açúcar orgânico e gerar cerca de 1200 postos de trabalho directos e indirectos.

Com base nas regras acordadas com o colectivo de financiadores, as comunidades locais foram mobilizadas a colaborar com o projecto produzindo cana sacarina em regime de fomento e, para o efeito, foram criadas duas cooperativas com um total de 586 camponeses que vão explorar dois hectares cada.

Mais adiante, Van Runsberg aludiu que a EcoFarm já iniciou o processo de estabelecimento de vínculos empresariais a nível local para o fornecimento de bens e serviços por parte de pequenas e médias empresas. “Já começámos, mas procuraremos envolver ao máximo as pequenas e médias empresas da região”, assegurou.Sobre a opção de produzir açúcar orgânico, no lugar do açúcar tradicional, a fonte referiu que há um grande mercado europeu, e particularmente alemão, interessado em produtos feitos sem o uso de químicos que, como se sabe, têm forte impacto na natureza.

 

Mesmo a propósito disso, a EcoFarm está já a desenvolver um segundo projecto paralelo que visa a produção de arroz orgânico que também deverá ser produzido em colaboração com as comunidades e exportado para a Europa.

“Vamos fazê-lo a pedido dos nossos clientes do açúcar que querem o máximo de produtos orgânicos nas suas mesas. Na realidade, estamos a ajudar a diversificar os produtos de exportação do país”, sublinhou.

Da parte das comunidades, ouvimos João Joaquim e Marcos Tchapo, presidentes das cooperativas de camponeses de Chemba, os quais confirmaram que a ligação comunidade-empresa está assegurada e que paira uma enorme expectativa em torno do arranque da fábrica.

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21.08.201Banco de Moçambique