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          19.10.201Banco de Moçambique

          Texto de Pretilério Matsinhe

          Falar de doenças de índole renal ou insuficiência renal é o mesmo que dizer que algo vai mal com os rins. São muitos os moçambicanos que se queixam desta enfermidade, contudo ataca em silêncio e é pouco conhecida.

          O Ministério da Saúde (MISAU) está em alerta e, sobretudo, preocupado pelo facto de nem sempre ser possível o tratamento dos casos de maior gravidade mediante hemodiálise, pois as máquinas disponíveis, sobretudo no Hospital Central de Maputo, revelam-se insuficientes para atender a demanda.

          Quando os rins deixam de funcionar devidamente, a hemodiálise surge como opção de tratamento médico que ajuda a remover as toxinas no organismo humano mediante uma técnica depurativa por uma membrana artificial (dialisador), mais conhecida por “rim artificial”.

          SOFRIMENTO

          QUE NUNCA ACABA

          O ano de 2010 marca o início da odisseia de José Luís do Rosário, 55 anos de idade. Numa manhã, ao se preparar para mais um dia de trabalho, viu-se tomado por um mal-estar contínuo. Chegado à unidade sanitária, o médico não teve dúvidas: “o senhor sofre de insuficiência renal”.

          Recebeu a triste notícia de que os seus rins se tinham atrofiado. A solução era tratamento mediante hemodiálise ou transplante de rim.

          Viajou para a Índia em busca de tratamento. Neste país asiático, recebeu a notícia de que não havia como evitar a diálise.

          Regressou a Moçambique e iniciou tratamento, durante dois meses, na vizinha África do Sul, pagando valores que não suportaria durante muito tempo.

          domingoencontrou-o no Hospital Central de Maputo (HCM), deitado numa cama, retirando toxinas por hemodiálise. “A causa da minha doença foi a hipertensão arterial que não controlei ao longo do tempo. Cheguei a este nível”, explicou.

          Ao seu lado encontrava-se Elídio Mutola, 33 anos de idade, que padece da doença desde 2015. Hipertenso por hereditariedade, repara na máquina de remoção de toxinas enquanto conta a sua história.

          “É complicado ter este problema nesta idade. Ninguém aceita empregar-me, porque fico muito tempo no hospital. A doença roubou-me muitos sonhos”, lamenta, enquanto acompanha um programa de televisão.

          O grande desejo de quem padece desta doença é a necessidade de eliminar as substâncias tóxicas através da urina. Felizardo Novela, diabético, descobriu o seu estado de saúde em 2016 e conta como é ir à casa de banho e não sair uma única gota.

          “Há sempre um desejo, mas quando se vai à casa de banho nada sai. Comigo foi assim e depois fui tendo problemas de vista, para além de que os meus pés já andavam inchados por excesso de líquidos”, narra.

          Segundo Orlanda Matusse, enfermeira, a maioria dos doentes dirige-se ao hospital já debilitada e em estado grave. “Ninguém chega a andar pelos próprios pés. Muitas vezes os doentes apresentam-se já sem ar, porque os líquidos sobem até aos pulmões”, sublinha enquanto observa os pacientes.

          Neste momento pouco mais de 70 pacientes fazem a diálise no HCM. A abertura recente de unidades de hemodiálise no Centro e Norte do país reduziu em cerca de metade a demanda em Maputo.

          Na capital do país há 25 pacientes na lista de espera para iniciar o tratamento.

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