ANÁLISE: Moçambique exemplo a seguir

Redacção

Moçambique está na boca do mundo não apenas por causa da forma exemplar como vem conduzindo o processo de diálogo que poderá conduzir a reconquista da paz efectiva, mas, sobretudo, pela maneira como geriu a morte e as exéquias daquele que foi o líder da maior força política na oposição no país, falecido, vítima de doença, a 3 de Maio, na serra da Gorongosa, província de Sofala.

A decisão do Governo de proporcionar um funeral oficial a Afonso Dhlakama surpreendeu não só os moçambicanos, mas também o mundo inteiro, que não está habituado a ver tratamento igual a ser dispensado a um adversário político, sobretudo no continente africano.

Certamente, esta deliberação do Conselho de Ministros não terá surpreendido aqueles que dentro e fora do país vinham acompanhando as últimas tendências do diálogo político entre a Renamo e o Governo que, inclusive, depois de contactos telefónicos levou o Presidente da República a deslocar-se à Gorongosa, por três ocasiões, para se encontrar com Afonso Dhlakama.

Aliás, para quem esteve atento à reacção do Chefe de Estado no dia da morte de Afonso Dhlakama, bem como a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros, no dia seguinte, pode não se ter surpreendido com esta decisão.

É que esta decisão, além de legal, porque em conformidade com a Lei n.º 33/2014, de 30 de Dezembro, que aprova o Estatuto Especial do líder do segundo partido com assento parlamentar, conjugado com o Decreto n.º 47/2006, de 26 de Dezembro, reflecte o clima de confiança e de “irmandade” que se tinha desenvolvido entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, fruto do contacto directo.

Há quem veja neste gesto do Governo um aproveitamento político do partido no poder que está à procura de somar pontos. É de respeitar tal ponto de vista que pode ser enquadrado no âmbito do exercício da liberdade de expressão, um direito constitucionalmente consagrado em Moçambique.

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