Comigo Desportivo não desceria do “Moçambola”

Uzaras Mahomed, treinador

O afastamento de Uzaras Mahomed do comando técnico do Desportivo de Maputo, o ano passado, deixou o “Moçambola” órfão de uma das vozes de futebol mais ouvidas em Moçambique. Adorado por uns e odiado por outros, Uzaras nunca “algemou” a sua boca para não dizer as verdades, atinjam ou não as elites do dirigismo e arbitragem nacional.

Porque o homem ainda está vivo e caladinho no ninho “alvi-negro”, onde é treinador dos juvenis, fomos ao seu encontro para uma conversa, cientes de que os amantes do futebol, dentre os seus detractores e apoiantes, revivam as suas palavras, que para si foram sempre para o bem do futebol.  

Mister, Uzaras fora do “Moçambola” é coisa normal?

Diria que eu fora do “Moçambola” considero-me uma perda muito grande, porque penso que seria uma mais-valia se lá estivesse a treinar uma equipa. Acho que há poucos treinadores, em Moçambique, com a tarimba que eu tenho. 

Acredita que ficou treinador ultrapassado?

Não. Num espaço de tempo fiz parte do “Moçambola” e constatei que tinha muito de bom para continuar a ser do futebol desse nível.

Se voltar à ribalta, vai continuar o mesmo treinador de discursos incendiários?

Eu penso que sou treinador exclusivo e interventivo naquilo que julgo que o futebol merece ser falado para o seu melhoramento. Nunca e jamais abdicarei desse tipo de treinador que sempre fui para o bem do futebol.

O ano passado foi substituído por João Chissano no Desportivo de Maputo. Ter-se-á sentido diminuído? E como encarou a despromoção dos “alvi-negros” do “Moçambola”?

Primeiro responderia assim: no meu entender houve uma grande precipitação, porque nesse momento, de despedimento, o Desportivo vinha praticando um bom futebol e desenhava-se que sairia do lugar que ocupava. Vi a despromoção do meu clube com muita tristeza e mágoa, porque sempre acreditei que comigo o Desportivo não desceria do “Moçambola”.

Tem assistido aos jogos do “Moçambola” deste ano? Se sim, qual é a equipa que gostaria de treinar?

Tenho assistido a alguns jogos do “Moçambola”, uns em directo lá no campo, outros pela televisão. Sinceramente falando, se há um clube de quem um dia gostaria de ser seu treinador no “Moçambola” não vos posso revelar.

Mas está lá…

Sim, está lá atravessando algumas dificuldades para a sua manutenção.

Será Macuacua?

Não. É um desses clubes com dificuldades.

Quer com isso dizer que está incapacitado para treinar uma equipa dum clube candidato ao título?

Não. E nem é por isso! Mas acredito que esses clubes dos ditos candidatos ao título estão bem apetrechados neste momento e não precisariam de mudanças de treinadores de momento 

Foi sempre contestatário das arbitragens das vezes que perdia jogos. De fora como vê as arbitragens do “Moçambola” corrente?

Não fui assim tão contestatário às arbitragens, apesar de algumas vezes ter-me sentido prejudicado e ter criticado os árbitros. Porém, reconheço que os árbitros têm feito tudo para melhorarem as suas prestações, muitas vezes assediados pelos dirigentes de clubes que pretendem alcançar os seus objectivos com a ajuda deles.

Não bebo mais que os outros

O que o nosso futebol mais precisa para progredir: bons jogadores? Bons dirigentes? Ou de bons treinadores?

O nosso futebol precisa de uma melhor organização estrutural. Primeiro, ter boas infra-estruturas, dirigentes com boa formação, bons treinadores na formação. Desse modo, a médio prazo teríamos muitos bons jogadores.

 De zero a dez valores, que nota daria aos dirigentes de clubes moçambicanos? 

Com toda a sinceridade e respeito que nutro por alguns deles, daria nota três (3).

Sempre teve um relacionamento verbal azedo com Artur Semedo. Os dois não têm lugar no “Moçambola”. Coincidência ou empate técnico?

O que aconteceu no passado em debates verbais, entre mim e ele, foi de cada um puxar pela sua equipa. E não era mais do que isso. Mas a verdade manda-me dizer que foi nesse período que as equipais treinadas por nós os dois proporcionavam maiores enchentes nos campos porque praticavam o melhor futebol em Moçambique nos últimos quinze anos. E foi igualmente nesse período que saíram para o estrangeiro mais jogadores com nível futebolístico alto e que ajudaram a selecção nacional a qualificar-se para o último CAN em que Moçambique esteve presente. São exemplos de Domiguez, Simão, Josimar, Mexer, Maurício, Carlitos, Mano…

Abel Xavier ganhou dois jogos amigáveis, um diante de Angola, em Maputo, o outro contra Lesotho na Beira. Acha isso suficiente para que se diga que está encontrada a solução ora procurada para a nossa selecção nacional?

Falando de Abel Xavier tenho uma opinião muito pessoal, porque considero-o a pessoa certa para dar a cambalhota dos resultados que escasseiam na selecção, devido ao seu carácter, a sua crença de liderança e a sua vivência no futebol, por ter sido um atleta combativo, que não desistia à luta. Transmite muita confiança aos atletas e consegue encarar quaisquer adversários de Moçambique, em pé de igualdade.

Neste momento o que Uzaras faz no futebol?

Sou treinador dos juvenis do Desportivo de Maputo, onde empresto a minha experiência aos mais novos, sem perder de vista o que vai acontecendo no “Moçambola” e na segunda liga.

 Aceitaria deixar de beber como condição para ser contratado por um clube do “Moçambola”?

Olha, respondendo à sua pergunta, digo que não bebo mais nem menos que qualquer bom cidadão deste país, incluindo os mais responsáveis do país.

Por Manuel Meque

manuel.meque@snoticicas.co.mz

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