O futebol está em guerra silenciosa– Euroflin da Graça

Texto de Abibo Selemane
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Euroflin da Graça, treinador de futebol, afirma que se retirou da modalidade por causa de algumas pessoas com quem se cruzou nos últimos tempos e que nada faziam para que o futebol fosse aquilo que ele próprio anseia. Trata-se de indivíduos que não entendem de futebol e que estão apenas para tirar benefícios pessoais.

O nosso entrevistado começou a carreira de treinador no ano de 1978, tendo trabalhado em diferentes pontos do país. Actualmente, desempenha a função de coordenador-geral e apoia a equipa técnica do Clube Académica de Maputo.

Afinal, por onde anda o mister?

Continuo na cidade de Maputo, a minha terra natal. Agora, trabalho na Académica de Maputo, Não porque estou zangado com o futebol. Eu sou do futebol, que fez com que eu fosse conhecido, tivesse amigos e a vida que tenho. Não estou zangado, mas tive de me retirar um pouco do futebol directo por causa de algumas pessoas com quem cruzei nos últimos tempos e que nada faziam para que o futebol fosse aquilo que todos os moçambicanos anseiam.

Essas pessoas são da federação ou de clubes?

O futebol é o maior bem social, movimenta milhares de pessoas, não é uma questão de dinheiro. Alguns jogam por dinheiro sim, mas outros jogam porque gostam de fazê-lo. No futebol exige-se mérito, a pessoa tem de trabalhar, saber fazer, e procurar fazer cada vez melhor. Eu posso ter um filho bonito, gordo, alto, mas se não tiver qualidade não vai jogar. No país, infelizmente, ultimamente as coisas mudaram na forma de ser e de fazer. As pessoas que mais gostam de futebol são as mais afastadas, segregadas, as que menos são levadas a pensar e a viver o próprio desporto. O mais importante não é o teórico, nem o prático, os dois são importantes, pois há uns que têm de pensar nas políticas e dinâmicas para os fazedores aparecerem e fazerem. Hoje em dia temos muita gente formada em universidades, mas não vemos resultados, continuamos a depender do estrangeiro. Continuamos a ver a nutrição, cultura física e tantas outras medidas estrangeiras, enquanto neste momento podíamos ter resultados localmente.

E isso tem consequências!

É o que vemos. Existem muitos clubes, mas que de clube não têm nada, são equipas, é por isso que a maior parte das infra-estruturas vai desaparecendo porque não existe manutenção. É por isso que ao invés de irem ver básquete, futebol, voleibol, natação, as pessoas preferem ficar em casa a ver televisão. Hoje procura-se uma desculpa, a mais banal possível, para explicar a razão dos recintos desportivos apresentarem-se vazios. Diz-se que não enchem porque as pessoas têm televisão, isso é mentira. Os jogos são organizados por aqueles que não jogam. Hoje os dirigentes não são profissionais. Para harmonizar qualquer coisa que seja temos de falar a mesma língua. Se a pessoa que tem de me pagar como profissional não sabe o que é um treinamento, não sabe o que é um jogo de futebol, não sabe como é que se constitui um plantel, dificilmente haverá entendimento.

Assim podemos dizer que já está reformado?

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