No princípio fizeram uma troca de insultos, no fim entenderam-se. Donald Trump, o Presidente norte-americano, e Kim Jong-un, o líder norte-coreano, tornaram possível o cruzamento de extremos e rubricaram terça-feira passada, em Singapura, um documento já classificado de histórico visando a desnuclearização da Península Coreana.

 

Nada mais sarcástico, irónico, podia pautar a dimensão deste relacionamento de tipo amor e ódio, o tal que me ensina que os homens tudo devem fazer para evitarem a projecção do seu desespero até ao limite quando em jogo está o ar que respiram.

Se os dois líderes foram capazes de ler o mundo desta maneira, como algo acima de egos individuais, só me resta aplaudi-los e alertá-los para que no futuro não venham a entrar outra vez em choque quando os interesses de ambos, ou dos seus países, gravitarem na mesma orbita e com ameaça de choque.

Algo leva-me a pensar que a Coreia do Norte ganhou algo em troca nesta negociação com os EUA, a julgar pela abertura de Washington em refrear as sanções e fortificar a economia do país de Kim Jong-un.

Tudo leva a crer que foi alcançado um entendimento semelhante ao acordo em torno do programa nuclear iraniano, rubricado às pressas quando em 2009 o então Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou, precisamente a 23 de Junho, que pretendia fazer testes com mísseis capazes de atingir Israel e as bases americanas no Golfo Pérsico.

Washington e as principais economias da União Europeia aceitaram desde então uma negociação com o Irão, comprando o seu silêncio e exigindo o fim do seu programa nuclear em função da injecção de biliões de dólares na sua economia.

Estou a falar de um acordo recentemente rasgado por Donald Trump.

Sublinho: estou preocupado. Se a moda pega os países, podendo, mergulharão na corrida armamentista para fortificarem as suas economias, impondo o medo através do poderio nuclear, perturbando a paz mundial, pondo até em causa a sobrevivência da humanidade.

E tudo começou curiosamente nos próprios EUA. Albert Einstein, considerado dono de uma das mentes mais brilhantes que já pisaram a terra, em 1939 fez parte do Projecto Manhattan, nos EUA, cujo objectivo era produzir a bomba atómica.

Ele escreveu, em Agosto de 1939, uma carta ao Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acerca da possibilidade da criação de uma bomba atómica configurada a partir de uma cadeia de reacções em uma grande massa de urânio, desencadeando uma reacção nuclear em cadeia que geraria grandes quantidades de energia.

Desde então o mundo não voltou a ser o mesmo. O lançamento de bombas atómicas no Japão, em plena II Guerra Mundial, despertou a corrida armamentista.

Apesar da existência de um Tratado de Não proliferação de Armas Nucleares, assinado em 1961, vários países têm mantido o interesse na construção de armas nucleares para se fortificarem politica e militarmente.

Por Bento Venâncio

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