Texto de Abibo Selemane

O treinador de futebol Abdul Omar foi despedido, recentemente, do comando técnico da equipa principal do Têxtil do Púngoè. Segundo o treinador, a direcção do clube tomou esta decisão por ele ter rejeitado retractar-se e assumir que era o mentor das reivindicações dos jogadores.

 

Abdul Omar assinou nos princípios do presente ano um contrato de duas épocas com o Têxtil do Púngoè, um dos representantes da província de Sofala no Campeonato da II Divisão de Honra zona Centro.

No acto da assinatura do contrato, o desafio que lhe foi imposto pela direcção do clube foi de apurar a equipa para o Campeonato Nacional de Futebol, vulgo “Moçambola”, edição 2019. Para permitir a efectivação do desafio, promessas não faltaram quer da equipa técnica, quer da direcção do clube, de cada uma assumir as suas responsabilidades.

Para tal, Abdul Omar fez uma lista de necessidades e sugeriu a contratação de determinados jogadores. A maior parte tinha trabalhado com ele em diversos clubes que treinou nos últimos anos, como são os casos de Textáfrica e Matchedje.

Actualmente, o plantel do Têxtil é composto por 26 jogadores, dos quais seis da cidade de Maputo, três de Chimoio, três de Vilanculo, dois estrangeiros e outros da cidade da Beira.

No começo tudo parecia bonito. O treinador e os jogadores quando chegaram à cidade da Beira foram alojados num hotel, onde viveram durante um mês, enquanto a direcção procurava um local definitivo.

Contudo, nas vésperas do início do campeonato, começou a instalar-se um mau relacionamento entre o treinador, jogadores, com a direcção do clube. Dentre vários problemas, ressaltava a falta de pagamento de remunerações mensais.

Quando o pai esteve doente, o treinador foi impedido de viajar para Vilanculo, alegadamente porque a equipa tinha jogos da taça. Apesar das solicitações frequentes do pai, o treinador não conseguiu viajar.

Aliás, Abdul Omar só viajou para Vilanculo contra a vontade dos dirigentes do clube, depois de receber a informação do falecimento do pai. A situação deixou-o irritado, mas diz que depois de um tempo conformou-se e voltou ao trabalho.

Quando o treinador voltou para Vilanculo para participar nas cerimónias de 40 dias do falecimento do pai, os jogadores decidiram paralisar os treinos como forma de reivindicar o pagamento dos salários em atraso.

Abdul Omar confirma que, antes, os jogadores informaram-no que tinham o plano de entrar em greve. No momento aconselhou-os a pautarem pelo diálogo. Inconformados, não acataram a orientação do seu treinador. Como retaliação, foram impedidos pelos dirigentes do clube de passar as refeições.

“Quando isto aconteceu eu estava em Vilanculo à espera de me enviarem o dinheiro de passagem, 1500.00 meticais. Acredito que se estivesse presente não teria acontecido. Não tinha dinheiro de passagem porque estava há dois meses sem salário. Falei com a minha esposa para me emprestar dinheiro. Ela recusou-se a fazê-lo”, disse.

Facto que considera curioso é que quando chegou na cidade da Beira manteve um encontro com a direcção do clube, onde foi abordado sobre a atitude dos jogadores, assim como a sua continuidade no clube.

Na ocasião foi orientado a fazer uma carta de pedido de desculpas à direcção do clube e que devia assumir que foi ele que instruiu os jogadores a paralisarem os treinos.

 

“Não aceitei fazer a carta porque era inconcebível assumir uma coisa que não tinha feito. Os jogadores estavam a reivindicar um dos seus direitos, o salário, e quando isso aconteceu eu estava longe da cidade da Beira”,disse.

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