LITERATURA: Ungulani lança “Cartas de Inhaminga”

Cartas de Inhamingaé o título da mais recente obra literária do escritor moçambicano, Ungulani Ba Ka Khosa. A sair sob chancela da Alcance Editores, a obra reúne dezanove crónicas publicadas ao longo dos anos nos semanários da capital do país.

Em 123 páginas, Ungulani reaviva a memória através dos textos que fazem menção a lugares e pessoas. Malangatana, Eduardo White, Samora Machel, Uria Simango, Alexandre Chaúque, são alguns nomes retratados em crónicas. Constam ainda a Geração 8 de Março, Mafalala, Quelimane, Identidades da cidadania, entre outros.

O autor da obra afirma: “estas Cartas  podem resumir-se a uma ou duas  frases: O direito de pensar diferente. O direito de dissentir. Nestes mais de 40 anos de independência, sofremos de uma fobia castrante: o medo de desafiar a doutrina oficial, o discurso do dia. Aos que se especializam em fobias, chamam a esta de  Heresofobia”.

Ungulani Ba Ka Khosa  que durante os 40 anos, foram feitos jogos de cintura, muito ao jeito do jogo da Capoeira, evitando lances para não ferir o oponente. “Tivemos os nossos períodos de degelo. E a segunda República, foi, em termos constitucionais, a assunção de novas balizas, novos horizontes, ao nosso país. A carta mãe deu-nos tudo para sermos felizes, mas a heresofobia toldou-nos a mente, arregimentou-nos ao já dito, à cartilha matricial da nação”.

A propósito dos lances, Ungulani recorda um episódio acontecido : “Eduardo White, publicou em  1989, o livro, O PAÍS DE MIM. O Título contrapunha-se a de outro grande poeta moçambicano, o Rui Knophili: O País dos Outros. Esse país dos Outros, sentíamo-lo no nosso dia a dia. Sentíamo-nos marginalizados nas grandes decisões da nação. Éramos objecto e não sujeitos”.

Segundo o autor, o livro é dedicado a várias gerações, a dos escritores da sua era, a 8 de Março, assim como à juventude. Entretanto, lança um apelo: “

Aos nossos filhos e netos, espero que não façam do espírito de adulação, o tal espírito cortesão, o seu modo de estar. Nós precisamos de autonomizar os discursos e que não sejam contaminados pelo discurso político. Que todos os discursos tenham o seu lugar de honra na grelha de partida. Que haja pluralidade. Que haja democracia”.

Ungulani Ba Ka Khosa, nome Tsonga de Francisco Esaú Cossa, nasceu a 1 de Agosto de 1957, em Inhaminga, província de Sofala. Formado em Direito e em ensino (bacharel) de História e Geografia, exerce actualmente as funções de Director do Instituto Nacional do Livro e Disco. É também autor de Orgia dos loucos (1990); Histórias de amor e espanto (1993); Os sobreviventes da noite (2005) - Prémio José Craveirinha; Choriro (2009); O Rei Mocho, História Infanto-juvenil (2012); e Entre as memórias silenciosas (2013)- prémio BCI, melhor livro do ano 2013. 

Texto de Frederico Jamisse

frederico.jamisse@snoticicas.co.mz

Versão-Impressa


Editorial

Aprendizagem, amizade união e competição
domingo, 16 julho 2017, 00:00
Arrancou sexta-feira última na cidade de Xai-Xai, num ambiente desusado, cheio de cor, luz e alegria, a 13.ª Edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares Gaza... Leia Mais

Opinião

Desporto

Nacional

Breves

Sociedade

Reportagem

Cultura

Em foco

Temos 282 visitantes em linha

Banca de Jornais

Sociedade do Noticias
  • EconomiaEconomia
  • CulturaCultura
  • DomingoDomingo
  • DesafioDesafio
  • NotíciasNoticias

Conselho de Administração

Bento Baloi Presidente

Rogério Sitoe Administrador

Cezerilo Matuce Administrador