Texto de Maria de lurdes Cossa

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
 

Vendem livros usados, alguns dos quais não mais existem nas prateleiras das livrarias. Os alfarrabistas, assim como são chamados, encontram-se em muitos pontos da cidade de Maputo trazendo desde simples obras a grandes clássicos em línguas como português, inglês ou francês.

São livros que em muito ajudam não apenas o leitor comum, mas também aos estudantes que frequentam o ensino superior, assim como alunos da secundária.

Lázaro Tendane tem 45 anos. É alfarrabista desde 1993. Montou, na avenida Samora Machel, nas proximidades da antiga padaria Aziz, na cidade de Maputo, uma pequena prateleira onde cabe mais de uma centena de livros usados. 

Vende variedades de livros, dos científicos aos de ficção. Ingressou neste negócio depois de aprender a cuidar de livros numa das bibliotecas da capital do país.

Entretanto, tal como ele encontram-se em outros pontos da cidade homens que diariamente se dedicam à compra e revenda de livros usados. Inúmeras vezes, quando a sorte lhes bate à porta, encontram, inclusive, primeiras edições que não mais são vendidas nas grandes livrarias moçambicanas.

Os alfarrabistas têm na “manga” dicionários, livros de Física, Biologia, novelas, banda desenhada, fotonovelas, entre outros.

Baixa da cidade, Mercado Estrela Vermelha e Museu são alguns locais onde se vêem estes senhores e jovens que na maioria das vezes entram no negócio sem amor pelos livros mas que acabam ganhando-o pelo diário. Outros até acabam ganhando paixão pela leitura, sobretudo de romances.

“O naufrágio” (Jorge Mayer), “Uma casa na escuridão” (José Peixoto), “O reino” (José Manuel Marques), “A Revolução cubana” (Vânia Bambirra) e “O Vale dos reis” (Otto Neubert) são alguns títulos que domingo viu nalgumas “prateleiras” dos alfarrabistas da cidade de Maputo.

Existem na verdade trabalhos de escritores moçambicanos bem como de estrangeiros que, muitas vezes, são de grande valor histórico.

Este negócio ajudou-me a ampliar os meus horizontes sobre o mundo. Comecei a gostar de ler e fui descobrindo mais coisas”, conta Lázaro Tendane.

Actualmente, tem casa própria graças ao negócio. Também paga a escola dos filhos e alimenta a família com a venda do livro.

“A maior parte dos meus clientes são estudantes. Procuram, normalmente, livros de Direito, Gestão e Matemática. Há os que também querem os de ficção, sobretudo de alguns escritores moçambicanos. Compram mais livros didácticos, pois são necessários para a sua formação”, explica Lázaro Tandane.

A FONTE

O preço dos livros parte de 50 meticais. Na verdade, os preços aplicados para cada um deles dependem muito da forma como os alfarrabistas os adquirem, do seu volume, conservação e natureza.

Em frente à entrada do Mercado do Mandela, encontrámos Ernesto Mussa, de 56 anos. Vende livros de segunda mão há 22 anos mas também tem alguns ainda novos, os quais adquire em algumas editoras, daí “serem um pouco mais caros”, disse.

A pertinência de cada livro também contribuiu bastante para a aplicação do preço. Os livros científicos, por exemplo, tendem a ser mais caros em relação aos de ficção. Isso porque quem procura um livro de Direito tem sérias obrigações com o mesmo, enquanto uma novela é mais para leitura lúdica”, afirma o alfarrabista Atanásio Mário.

Leia mais...

Pub

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 58,6 59,76
ZAR 4,06 4,14
EUR 67,41 68,76

21.08.201Banco de Moçambique